Ivan Jubert Guimarães
06/11/2008
 

 

 

 

A voz melodiosa de um seresteiro
Que canta a paixão de sua amada,
Parece formar o mais belo canteiro
De flores coloridas e perfumadas.

A voz de um poeta apaixonado
Declamando seus versos de amor,
Sentindo seu peito muito apertado,
Pela desilusão, saudade e pela dor.

São vozes embevecidas e belas,
Fossem de um pintor seriam aquarelas,
Carregadas de cores e de emoção.

Nenhum som é, no entanto, perfeito,
Como a voz que carrego no peito,
Quando fala de amor meu coração.
 

 

 

 

Se de palavras são feitas minha poesia,
E se reclamas que me falta a ação,
Não é, de jeito nenhum, por covardia,
Que não faço o que me pede o coração.

O medo já me fez perder outros amores,
Já fiz juras eternas, nenhuma foi cumprida;
O grande mal do poeta é a falta de pudores
A paixão que dura somente um dia, é sentida.

Palavras, palavras, carregadas de sedução,
Ninguém resiste à voz de um poeta no ouvido,
Pois soa como um hino de amor no coração.

O poeta fala e escreve sempre o que sente,
E mesmo que suas juras nunca tenha cumprido,
Quando fala de amor, o poeta não mente.

 

 

 

 

Se teus ouvidos estiverem preparados,
Gostaria que ouvissem o que vou dizer:
A vida não é apenas um jogo de dados,
Onde você arrisca, mas tem medo de perder.

Entregar-se a uma paixão inconseqüente,
Pode trazer-te apenas grandes dissabores,
E, se por acaso, um for parar em teu ventre,
Ele te acompanhará para onde tu fores.

Por isso, este fruto tem que ser amado,
Já que é a lembrança de um amor vivido,
Que em teu coração ficará perpetuado.

Não há no mundo paixão sem sofrimento,
Não temas amar, de novo, um amor sentido,
O amor é puro a cada segundo, a todo o momento.

 

 

 

 

Quando teus olhos lerem o que te escrevo
E se umedecerem de emoção ou alegria,
Meus pecados estarão pagos, nada mais devo,
A não ser continuar escrevendo minha poesia.

Mesmo que isto não te baste como gostaria,
Pois talvez prefiras coisas diferentes,
É o que sei fazer e farei todos os dias,
Desculpe-me se isso não te fizer contente.

Teus olhos sempre traduziram teus sentimentos
E não será agora que agirão de outra maneira;
Os conheço bem, desde o primeiro momento.

Espero vê-los negros e reluzindo tanto,
Como os vi em nossa vez primeira,
E deixei-me levar pelo teu encanto.
 

 


Ivan Jubert Guimarães
Direitos reservados ao autor

 

 

 

Imagem cedida pelo autor, da sua esposa Márcia, para a qual os sonetos foram escritos