Cleide Canton
12/04/2010
 


    Ter um ideal é maravilhoso! Lutar por um ideal é divino! Abraçar um ideal fundamentado numa igualdade ilusória, no desrespeito aos direitos humanos (não os fabricados com imposições, com estratégias políticas, com afronta ao patrimônio adquirido, com desrespeito aos princípios constitucionais) é, na minha ótica, verdadeiramente diabólico.

    "O homem nasce bom, a sociedade o corrompe", já dizia Rousseau, o grande pensador responsável por tantas reformas político-socias. Os radicais o reduziram a um anti-progressista. Contudo, ao analisarmos as desastrosas consequências advindas do mal uso do progresso, não se pode negar razão a esse pensador. Não era intenção dele "retornar o homem aos tempos de macaco". Apenas apontava caminhos para que a humanidade seguisse o seu curso baseando-se nos princípios simples de equilíbrio e solidariedade.

    Retornar ao passado é uma aberração. No entanto, conhecer o passado para entender o hoje e preparar melhor um futuro, é obrigação de todo cidadão. Permanecer na ignorância, colocar véus dourados em fatos nada auspiciosos, argumentar demagogicamente, usar do poder para convencimento e aceitação tácita é o mesmo que colocar vendas nos olhos de um povo e guiá-lo para um lugar que, se os olhos fossem abertos, jamais escolheria. Caminhar na cegueira é chegar a lugar duvidoso.

    Não entendo essa falta de idealismo patriótico, essa ausência de vontade de crescer por meios lícitos e éticos. Não entendo a exagerada preocupação com o"eu" ou a demonstração equivocada de preocupações apenas com "eus agrupados" em determinadas classes sociais, em detrimento de outras. Acredito na aproximação de classes através do consenso, de distribuição de renda que permita a aproximação entre os homens de classes diferentes. Utopia é pensar que nivelando por baixo se conseguirá uma sociedade perfeita. A História está aí para contar. Apostar no que nunca deu certo é risco. Maior risco é acreditar em capas de cordeiros em lobos ou confundir lobos com cordeiros.

    Qualquer republiqueta desinformada consegue chegar a essa conclusão. Por que é tão difícil para nós esse entendimento? Como é que se pode abandonar a ética e a moral em nome de um ajustamento social? E como se justifica usar de tantos valores nacionais para ajudar a um outro povo, em detrimento do próprio, que não tem condições de vida digna, muito menos moradia (além de incitá-lo a apossar-se dos bens de legítimos proprietários)?Não seria natural e correto resolver primeiro os problemas internos para depois ajudar os demais que necessitam?

    Vejamos uns exemplos: quantos desabrigados por catástrofes aqui neste país encontram-se "ainda" sem moradia? Quantas encostas ainda ameaçam o povo que habita nelas ou abaixo? Quantas estradas causam acidentes fatais por culpa da não manutenção? Quantos presos estão soltos por falta de prisão? Quantos brasileiros aguardam há anos por precatórios? Quantos inválidos lutam desesperadamente para conseguir a aposentadoria que lhes é devida? Morrem, muitas vezes, e não lhes é reconhecido um direito. Quantos brasileiros menos favorecidos ficam jogados em corredores de hospitais e acabam morrendo sem cuidados? Quantas crianças paupérrimas morrem porque são muitos, numa família, para serem alimentados? Planejamento familiar, então, fica relegado a papéis. Incentivo a colocar-se filhos no mundo só para os menos favorecidos porque apenas um grande número deles receberá a esmola de uma bolsa qualquer. Sem outras perspectivas, apelam por um filho a cada ano. 29,1 crianças em cada mil morrem por desnutrição, segundo uma pesquisa que li.

    Pois bem. Vamos primeiro cuidar das nossas deficiências com atitudes políticas responsáveis. Depois pensar em ajudar os demais, não para fortalecer regimes ditatoriais, mas para fortalecer povos. Eles sim, fortalecidos, terão condições de estabelecer em seus governos o regime que lhes aprouver. Muito diferente de ajudar um governo que impõe o seu regime a fortalecer apenas o regime. Que gesto de solidariedade é esse?

    Já está mais do que na hora de exigirmos igualdade de direitos e deveres baseados na vontade de um povo não manipulado, não enfeitiçado por presentinhos baratos, não incentivado a devassar o direito dos outros, não tolerante para com a derrota das virtudes pelos vícios.

    Devolvam, por favor, a brasilidade aos brasileiros, a honra e o orgulho a cada indivíduo, o respeito de uns para com os outros.

    Devolvam ao nosso Brasil a ORDEM e o PROGRESSO.
 


Cleide Canton


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