Cleide Canton
14/08/200
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Perdoa esta franqueza exagerada
que vês jorrar aqui no meu cantar.
Perdoa se o seu tudo é quase nada
no meu que já passou do despertar.
 


Perdoa o meu sorriso sem barreira
e a voz que não se cala censurada,
o não da minha tarde passageira
vingando o sim da nossa madrugada
 


Perdoa se esqueço o importante
que dizes, em encontros casuais,
se acho que o pouco é bastante
em meio a tantos falas informais.
 


Perdoa se me atenho a este momento
buscando um só acerto nos errados,
se pago muito só por um lamento
e pouco por dezenas de pecados.
 


Perdoa! Não te ofendas se a ousadia
permeia cada passo sem tropeço.
Perdoa se esta ausência de euforia
demonstra que não ligo ao que mereço.
 


Perdoa! Nosso tempo é meu amigo
e já me perdoou pela demora.
Entende o meu anseio tão antigo
e sopra-me bons ventos num agora.
 


Cleide Canton
 

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