Como estás hoje zangada e como olhas despeitada só pra mim Ora,
diz-me estes queixumes, estes injustos ciúmes não têm fim?

Que pequei, eu bem conheço, mas castigo não mereço por pecar,
pois tu queres chamar crime render-me à chama sublime de um olhar?

Eram uns olhos escuros, muito belos, muito puros como os teus.
Uns olhos assim tão lindos mostrando gozos infindos só dos céus.

Quando os vi fulgindo tanto senti no peito em encanto que não sei.
Juro falar-te a verdade foi decerto sem vontade que eu pequei.

Mas se queres com maldade castigar quem sem vontade só pecou,
olha linda, eu não me queixo, aos teus pés cair me deixo aqui estou.

Mata-me sim de ventura com mil beijos de ternura sem ter dó.
Que eu te prometo anjo querido não desprender um gemido nem um só.

 

 

 

Casimiro de Abreu

 

Direitos reservados ao autor