Ivan Jubert Guimarães
21/04/2008


Não sei mais onde eu devo procurar;
Já descobri que não é um simples lugar,
Embora me encontre totalmente no escuro,
Vislumbro uma pequena luz a brilhar.


Não sei por que choro pelo que já passou,
Amores são como trens, chegam sempre no horário,
Nunca ficam muito tempo na estação em que estou,
E costumam partir, não me importa o itinerário.


Mas tampouco é pela gostosa companhia
De alguém que parte e que nos jura amor sem fim.
É mais, é muito mais que isso que faz a vida vazia.
Se não é o lugar, nem a companhia, o que falta em mim?


Se eu digo a todo mundo, convicto, que sou feliz,
Onde é que se esconde essa tal felicidade?
Por que acreditam em mim e ninguém me desdiz?
Ou fingem por acharem que não posso ser feliz na minha idade?


Reconheci uma verdade, mas não a vivo em sua plenitude;
Será pela falta de coragem, ou por zelo ou responsabilidade?
Não sei a razão, mas sei que tenho que mudar de atitude;
Largar tudo o que tenho e viver deixando de lado a vaidade.


Fecho os meus olhos, mas olho bem dentro de meu coração;
Finjo que eu não existo, apenas observo e não classifico nada;
Vejo que carrego ainda muitas paixões, e também muita emoção.
Falta-me, talvez, mais serenidade nesta vida que torno tão agitada.


Procuro em cada canto e saliência do meu peito,
Descubro que não sou fiel, embora seja leal à amizade.
Sou responsável, impaciente, imprudente e não me respeito;
Sou destemperado, vaidoso e fraquejo em minha humildade.


Será que é de princípios que a felicidade depende?
Se de todos eles eu tenho um pouco, com certeza,
Por que ela está tão distante, ou é meu coração que não aprende?
E, por isso, ela se esconde e não me mostra sua beleza?


Se for preciso Verdade, Justiça, Liberdade e Paz,
Valores fáceis de se obter, mas tão difíceis de se juntar,
Talvez seja por isso que eu seja tão incapaz,
E demore tanto, ó Felicidade, para te encontrar!


Como ser feliz se ainda vivo sentindo saudade?
Trazida pela tristeza do abandono emocional,
Logo eu que amo tanto, merecia talvez a felicidade.
E o amor que carrego, percebo que é incondicional.


Em se tratando de mulheres, amá-las todas já me encanta.
Não busco (será?) recompensas ou mesmo reconhecimento.
Mas amo pessoas que nem conheço e isso até me espanta.
O que devo mudar em mim? Deixar de lado o sentimento?


Sei que pratico o bem e essa tal ajuda verdadeira;
Mas às vezes eu me zango e ponho toda minha ira para fora,
O processo de mudança é lento, pois foi assim que vivi a vida inteira;
Mas também pode ser rápido, como um estado, pode ser já, agora!


Uma coisa já aprendi: é meu sentir que me traz o sofrimento;
Vejo restos de mágoa lá no fundo de meu coração.
Tenho que mudar agora, é chegado o momento.
De por tudo para fora e amar mais, muito mais e sem paixão.


Tenho todo o planeta e todo o Universo para mim aberto,
E, no entanto, vivia encapsulado numa gigantesca bolha,
Vivia em meio a muitas pessoas e me fechava em um deserto,
Demorei, mas finalmente descobri que felicidade é uma escolha.



Ivan Jubert Guimarães


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