Ivan Jubert Guimarães
20/04/2007


Ah que dor me assola o peito agora
Que vontade de partir, de ir embora;
Mas resolvo ficar, pois sou covarde,
Quero ser feliz, mas acho que já é tarde.
 


Amo tanto e me sinto tão pouco amado,
Que às vezes me sinto como um coitado,
Que vê a esperança ir-se minguando,
E me sento e fico esperando, esperando!
 


Faço tocar as músicas de nosso tempo,
Mas as melodias parecem ir-se com o vento,
Nenhuma lembrança vai-lhe à mente,
E torno-me triste quando deveria estar contente.
 


Ultimamente tenho lutado contra as doenças
Mas confesso que a despeito de todas as crenças,
Dos amigos que fiz e por quem tenho tanto carinho,
Nunca me senti na vida, assim, tão sozinho!
 


Sei que sou muito amado e sou bem querido,
Mas há momentos em que me sinto perdido,
Quero falar e não tenho ninguém para escutar,
Que ouça apenas o que tenho para contar.
 


Ainda carrego no peito muita vaidade e egoísmo,
Quero me livrar, mas carrego isso desde o batismo,
E não dá mais para voltar aos tempos de criança,
Por mais que eu tente, não há mais esperança.
 


Faz tempo que não durmo uma noite inteira,
Quero descansar, mas não encontro a maneira,
Que me faça sentir a tão esperada paz,
E assim o tempo passa e para mim tanto faz!
 


Não sei o que mais posso fazer de minha vida,
Apenas sinto que minha existência foi perdida,
Talvez num passado que já anda tão distante,
Mas que não esqueço e me lembro a todo instante.
 


Não faz muito, descobri que tenho uma irmã,
Que não sei se vive, se é doente ou se é sã,
Apenas sei que já a amo com todo meu coração,
E não consigo mais segurar tanta emoção.
 


Quero e preciso encontrar essa criatura,
Gerada talvez em um momento de loucura,
Mas assumida legitimamente como filha,
Mas por onde ela andará? Numa ilha?
 


Filho único, cresci sozinho sem ter irmãos,
E, de repente, sinto que tenho em minhas mãos,
Aquilo que sempre sonhei ter na juventude,
Que tanto desejei, mas que nunca eu pude.
 


Ah minha irmãzinha já tão amada e querida,
Quisera poder saber um pouco de tua vida,
Por isso em meus sonhos eu te chamo
Para que ouças de meus lábios o quanto te amo.
 


Que meu pai, que em outro plano já se encontra
Apareça-me em sonho com a resposta pronta,
Por onde andará minha irmã já tão adorada
Para que eu possa dizer-lhe o quanto é amada?
 


Ah meu pai querido e já tão ausente,
Tu que me deste tantos presentes,
Dá-me agora um simples endereço,
Não fui o filho que querias, mas eu mereço.
 


Sei que logo, não demora, estarei em seu encontro,
Já venci a morte uma vez, mas estou pronto,
Mas antes que eu me vá preciso de tua ajuda,
Por favor, fale comigo, não deixes tua voz tão muda.
 


Sei que estou aqui na Terra somente de passagem.
Mas quero ver de minha irmã nem que seja a imagem,
Ajuda-me pai, nesta busca que pode tornar-se insana,
Mas creia em teu filho: quero encontrar minha mana.
 


Talvez eu possa dar-lhe todo amor que não pudeste dar,
Por falta de tempo talvez, por isso eu a quero encontrar,
E dizer-lhe do pai que tive e nunca procurei entender,
Mas que depois da morte, nunca consegui esquecer.
 


Nem sei se ela, por acaso, sabe de minha existência,
Mas preciso dizer a ela, que faz parte de minha essência,
E que hoje ela é o que mais da vida eu necessito,
Ah maninha vem pra mim, senão eu grito.
 


Gritarei que te quero como nunca quis alguém,
Eu que sou poeta, covarde e destemido também,
Quero-te para sempre querida junto de mim,
E nunca amei alguém, confesso, tanto assim.
 


Nélio meu pai, dê-me ao menos uma pista,
E que Deus não permita que eu desista,
Desta busca que é a razão de meu viver,
Quero ver minha irmã, nem que eu precise morrer.




Ivan Jubert Guimarães


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