Ivan Jubert Guimarães
10/05/2008


Ontem, ao final do dia, eu tive um momento de rara alegria.
Entre cabisbaixo e mudo devido ao frio gelado da noite
Ouvi uma voz que me chamava, mas que eu não reconhecia.
Levantei a cabeça e o vento bateu em meu rosto como um açoite.


A voz então me disse Thainara teve alta e está lá no flat,
E de novo fiz uma confusão danada, traído que fui pela memória.
Quando a ficha caiu, segui aquele pai como se eu fosse marionete.
Deixei-me conduzir a passos rápidos ao meu momento de glória.


Ao entrar no quarto de hotel Thainara esperava minha visita,
Eu que falhei em todo o tempo em que ela esteve no hospital.
Foi um reencontro de corações numa noite que se tornou bendita,
E apesar da culpa que senti, ela estava ali, então já não fazia mal.


A emoção de tornar a ver aquela menina tão doce e tão linda,
Foi forte, provocando em mim um forte desejo de felicidade!
Foi uma emoção tão forte que carrego no peito ainda,
E enquanto eu existir me lembrarei dela e jamais terei saudade.


Não terei saudade porque aquela menina está dentro de meu coração,
E sempre que eu quiser vê-la ou conversar com ela, bastará chamá-la,
É tão grande a afinidade que ao abraçá-la tive a estranha sensação:
De abraçar um anjo, e dizer a mim mesmo “nunca deixarei de amá-la”.


Ah minha querida mocinha, que lição de vida você proporcionou;
Que coragem, que luta e que determinação em querer viver!
Tens toda vida pela frente agora, meu coração você já tomou,
Mas agora está na hora de outro coração, mais novo, escolher.


Você que através de teus olhos doces e cheios de meiguice,
Por onde eu sempre via uma lágrima querendo sair para fora
Eu via, mas você não chorava, apenas sorria e teu sorriso me disse:
Eu vou vencer, a morte está aqui do lado, mas já vai embora.



Ivan Jubert Guimarães


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