Ivan Jubert Guimarães

09/09/2007


Tem horas em que eu penso em demasia
Que fazer poesia é uma grande bobagem;
Mas se é assim, por que escrevo todo dia
E carrego milhares de versos na bagagem?


Sei que o olho do poeta atravessa o objeto,
E o belo se sobressai onde antes nada havia,
É que o olhar que o poeta dá é sempre direto,
É penetrante e quando encarado, não se desvia.


Dói-me pensar que muitos acham isso besteira,
E não dão a mínima para algo tão sensível,
Eu continuarei a escrever de qualquer maneira,
E vou divulgar todos os sonhos, mesmo o impossível.


E por falar em sonhos, quem não os têm sonhado?
Na certa, os de corações duros como couraça,
Ou aquele que nunca amou ou tenha sido amado,
E não conhece da vida esta maravilhosa e grande graça.


A poesia é a expressão do sentimento mais verdadeiro,
Seja de amor, de revolta ou de puro incitamento;
O olho do poeta sempre enxerga a verdade primeiro,
E seus versos podem mudar todo um comportamento.


Ah que saudades eu tenho da aurora da minha vida,
Ou minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá
Mais de século já se passou e a mensagem não é esquecida,
Não é a poesia a forma escrita mais linda que há?


Por que então o preconceito com quem ama a poesia?
Neste mundo materialista, belicista e sem pudor,
Em que roubar, matar e explorar virou mania,
Por que temem os homens, aqueles que só falam de amor?



Ivan Jubert Guimarães


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