Ivan Jubert Guimarães
12/07/2006.


Foi como voltar a um passado distante,
Onde vivi minha vida de modo brejeiro,
Sem preocupações, brincando bastante,
Conservando sempre um jeito matreiro.

Foi apenas um sonho, um conto de fada,
Mas foi uma bela recordação sentida,
Aquele gosto da meninice levada,
Os melhores momentos de minha vida.

Correr pelas ruas sem medo de nada,
Uma responsabilidade inconseqüente,
E às vezes, numa atitude mais ousada,
Ver as pernas da moça, com ar inocente.

O tempo passou, e eu fui virando gente,
Espinhas na face denunciando a idade,
Cabelos para trás e um topete na frente,
E nos olhos um olhar de mocidade.

Um pouco mais tarde, com idade madura,
Uma dança mais lenta com o rosto colado,
Num dos muitos bailes de formatura
E um beijo pedido, muitas vezes negado.

Mas um gole de cuba trazia a coragem,
E no jardim do clube, um pouco afastado,
O coração tremendo, uma linda paisagem.
E o beijo negado era agora roubado.

O rosto corado de vergonha e de medo
Pelo beijo atrevido e meio sem jeito;
Depois um sorriso, a promessa e um segredo,
E o coração querendo pular fora do peito.

Quão belos e doces esses sentimentos,
Depois do nervoso a sensação de calma,
Como eram bons aqueles momentos
Em que a paixão brotava em nossa alma.

De volta ao salão e ao baile elegante,
Sentindo na boca o gosto do mel,
Desalinhado e um pouco ofegante,
Teu batom em meu rosto era o meu troféu.

A orquestra tocava a última dança
Os casais dançavam a última folia,
Uma troca de olhares à media distância,
Era o fim da paixão que durava só um dia.


Ivan Jubert Guimarães

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