Ivan Jubert Guimarães
22/08/2007


De repente, a pele se abre e você começa a sangrar.
A alegria de viver se acaba e, num único instante
Onde antes havia cicatrizes, só há sangue a jorrar.
E aí você, de dor, começa a sofrer bastante.

Sofre porque descobre que sua poesia não presta;
Descobre que palavras escritas ou mesmo faladas,
Não mais sensibilizam ninguém e tudo o que lhe resta,
É o desgosto de saber que sua vida está toda errada.
 


Ontem eu pensei em fazer a minha mais linda poesia;
Afinal passei os últimos anos amando a mesma mulher.
Quarenta para ser preciso, mas num único fatídico dia,
Você já não liga mais e seja lá o que Deus quiser.
 


Velhas feridas são abertas, cutucadas e expostas ao ar;
Vírus e bactérias passam a dominar todo o seu ser.
Você, então, faz um esforço danado para não brigar,
E não conseguindo você perde a vontade de viver.
 


Você lembra que, literalmente, esteve doente de amor.
Quatro anos dos quarenta você esteve em hospitais;
Teve inúmeras doenças e algumas provocando muita dor,
Você se queixa, geme e te dizem que não agüentam mais.
 


Não vou parar de escrever pelo que ouvi você dizer. Não!
Escreverei em qualquer folha de papel, sabe o porquê?
Porque faço o que gosto, então, leia com muita atenção,
Este é o último verso que eu escrevo para você!




Ivan Jubert Guimarães


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