Ivan Jubert Guimarães

24/12/2015

 

 

Todo o ano a mesma cena se repete;
Quem cederá a casa para a ceia?
Há sempre alguém que se intromete,
E a mesa de comes e bebes fica cheia!

As pessoas chegam alegres e afobadas,
Há muita coisa que precisa ser feita:
Assados, saladas, doces e rabanadas,
Crianças ao redor da árvore à espreita.

Alguns já esperam sentados à mesa,
Impacientes vão bebendo do que há,
Todos esperando pelas surpresas
Dos presentes que querem ganhar.

A ceia começa e todos fora dos lugares;
Comem e riem com o alto teor alcóolico,
E o que era para iluminar os ares,
Torna-se um grande festim diabólico.

É hora de entregar as lembranças,
Um tio bêbado vestido de Papai Noel,
Começa a chamar as crianças,
E no chão uma montanha de papel.

Nos adultos a frustração vai surgindo,
Fulano deveria ter gasto um pouco mais,
Mas mesmo assim continuam sorrindo,
E as crianças chamando pelos pais

É hora de ir embora para suas casas,
Começam a recolher seus presentes
E desaparecem como se tivessem asas,
Não formam uma família, apenas parentes.

Todos carregam um pouco de comida,
Afinal as sobras da ceia foram demais,
A anfitriã muito cansada e desiludida
Diz ao marido: “Natal em família, jamais!”

E Jesus Cristo que a tudo isso assiste,
Acha estranho que se comemore assim;
E com o semblante bastante triste,
Murmura: “Ninguém se lembrou de mim”!

Ivan Jubert Guimarães

Direitos reservados ao autor