Ivan Jubert Guimarães
13/05/2009


Já faz tanto tempo que ninguém mais se lembra do ato,
Muitos nem acreditam que tenha acontecido de fato.
Escravos acorrentados em fazendas e nos engenhos,
Açoitados, comendo restos, um vômito ferrenho.


Ninguém se lembra mais das chibatas e dos açoites,
Das mulheres vilipendiadas tão logo chegava a noite,
Sob olhares furtivos das esposas assexuadas.
Tudo passava, valia tudo, todas as escapadas.


Os filhos bastardos que cresciam na sujeira,
Mal alimentados como os outros, comendo poeira,
Costas marcadas, chagas na pele negra brilhante,
Ordens descabidas e carregadas de ódio constante.


Ah memória curta de um povo sem história
Que prefere a omissão e viver junto da escória,
Não, percebe que os tempos mudaram, nem a situação.
Ainda vivemos todos sob um regime de escravidão.


Gritamos baixinho a revolta com a garganta emudecida,
Talvez seja mesmo melhor deixar a sujeira esquecida,
Pois o tráfico dos negros vindos nos navios negreiros,
Era a mão-de-obra gratuita do povo brasileiro.


Primeiro foram os índios os escravizados pelos senhores,
Mas parece que eram fracos, não suportavam as dores,
Os negros, mais fortes, se deixavam dominar para viver,
Contavam histórias para filhos e netos para ninguém esquecer.


Quando havia uma invasão de índios ou de assaltantes,
Os senhores tiravam os negros das senzalas abafantes,
Não lhes davam armas e os mandavam lutar:
- Vá meu negro, lute e morra em meu lugar!


De nada adiantou o ato da Princesa Isabel,
Afinal foi apenas uma assinatura num papel,
E hoje notamos que a sociedade olha de soslaio,
Ninguém se lembra do dia 13 de maio.


Ivan Jubert Guimarães


Direitos reservados ao autor