Ivan Jubert Guimarães
12/06/03


Hoje, eu queria estar dentro de cada coração!
Coração amigo, coração amante, coração esquecido.
Não queria me preocupar com o tempo,
nem tampouco com a espera,
na varanda ou no portão.


Queria que não cobrasses atraso,
que soubesses que eu sempre estive
onde estivesse sendo esperado!


Queria que não houvesse disfarces
nem do ciúme, nem das zangas,
e que a cobrança não vivesse disfarçada
de boa conselheira.
Fosse assim, não haveria queixumes,
tampouco haveria dor!


Amor não precisa de vigilância,
pois que necessita de liberdade,
para poder fluir com intensidade.


Sou como o pássaro que, livre no vôo,
solta suas asas num doce bailar;
se presas, no entanto, estivessem,
o pássaro, coitado, não poderia voar.


Um pouco só de felicidade,
É melhor do que muita tristeza.
Ter o pássaro numa gaiola dourada,
Pra viveres dizendo que é teu,
além de o ato ser de muita avareza,
quando fores olhar, o pássaro morreu.


Poderias estar voando agora,
mas tiveste medo de voar!
O medo que entre tantos disfarces
outro pássaro poderá imitar.


Há muito espaço para voar no céu;
ao invés de voares em liberdade
e seguires o vôo da esperança,
preferiu te deixares apanhar
por um pássaro caçador qualquer.
O medo disfarçado em tristeza,
e que te impede de ver toda beleza,
fará com que chores ao acordar.


Ivan Jubert Guimarães


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