Ivan Jubert Guimarães
21/02/2010



Sentado à mesa de um bar,
Tendo como companhia o vinho,
Ouvindo a música do lugar,
Me sentia extremamente sozinho.


Pessoas dançavam alegremente,
Contrastando com minha solidão,
Quando um bandônion pungente,
Tocou forte em meu coração.


Numa mesa perto da minha,
Uma linda mulher esperava,
Ela não poderia estar sozinha,
Em êxtase eu a admirava.


Criei coragem e tirei-a para dançar
Aquele tango que me inebriava,
De imediato meu rosto colou no dela
Braços estendidos, ela levitava.


Um violino tocava plangente
E o bandônion chorava também,
Nossos corpos dançavam levemente
E no salão já não havia mais ninguém.


Todos olhavam com admiração
Aquele casal de futuros amantes,
Unidos pelo tango, numa linda canção
Voei como nunca tinha feito antes.


O tango aproximava-se do final
E dançávamos silenciosamente,
Respeitando a melodia celestial
Apenas respirando o hálito quente.


Segurei suas mãos, forte o bastante
E ela volitava em torno de mim
Com seu vestido preto esvoaçante
Nunca imaginei dançar assim.


O bandônion e o violino já iam parar;
Antes dos aplausos, o silêncio ensurdecedor,
Nas mentes dos presentes aquele tango iria ficar,
Como que marcando o início de um grande amor!

 



Ivan Jubert Guimarães


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