Ivan Jubert Guimarães
29/05/2009



Se mentes que és bom semeador de pessoas,
Onde estão as sementes que jogas à toa,
No solo encardido pelo esterco humano?
Ou, por acaso, não és deste plano?


Nesta vida vivida de pequenos detalhes,
Esculpida na pele com profundos entalhes,
Por que ela se me apresenta com enfeites
Que sei que não mais me provocam deleite?


Já aprendi a conhecer as pessoas por dentro,
Não mais me iludo com a brisa nem com o vento;
É olho no olho, ouvidos colados nas bocas,
Já tive ilusões e acredita, não foram poucas.


Hoje, entretanto, liberto das falsas crenças,
Ainda carrego no corpo minhas doenças,
E vou percorrer meu caminho passo a passo,
Lentamente, como tudo o que hoje eu faço.


Não tenho mais pressa ou vontade de correr,
Matérias não me seduzem, hoje eu só quero Ser.
Mas se tua colheita for de fortes tempestades,
A mim pouco importa se não dissestes a verdade.


Cansei de falar a quem não quer me ouvir,
Esperar um mundo melhor, um novo porvir;
Não se mede o homem pelo que é, mas pelo que tem,
Eu que nada possuo sou mais rico do que ninguém.


Dentro de mim se manifesta uma força invencível,
Que me permite realizar o que parece ser impossível,
Basta eu querer, pois tudo a mim está disposto,
Então escrevo e faço isso com muito gosto.


Portanto, quando quiseres vir falar comigo,
Não hesite, te receberei como um amigo,
Vem, fala o que sentes, desabafa tua ira,
Mas, por favor, não vem me contar mentiras.
 



Ivan Jubert Guimarães


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