Ivan Jubert Guimarães


Poeta é assim mesmo, um sujeito até cansativo;
Vive andando a esmo, quase sempre pensativo.
Não sou diferente dos outros, sou até muito igual,
E por serem tão poucos, não chega a ser banal.
 


Se um incomoda muito gente, dois incomodam muito mais,
O poeta anda sempre em frente, mas olha muito para trás.
Buscando sempre na memória, pelos amores sentidos,
Vive sempre a mesma história: a dos corações partidos.
 


Porque poeta que é poeta, ama muito sem ser amado;
Não se afasta de sua meta, que é um novo amor conquistado.
Ele ama com intensidade, vive cada amor plenamente,
Ama mulheres de todas as idades, e com elas vive só o presente.
 


Mesmo não sendo andrajoso, sempre mendiga agrados,
Chega a ser até pegajoso, mesmo com seus amores passados.
O poeta nunca esquece uma mulher que já esteve em seus braços,
Pois nunca ama uma qualquer, sempre acompanha seus passos.
 


O poeta também ama a Natureza, aprecia dos pássaros os seus cantos;
Reveste sua alma de pureza, mesmo que por sua face escorra o pranto.
O poeta é sempre um crítico, é mordaz em seus comentários,
Nunca vai ser um bom político, até porque eles são seres imaginários.
 


A língua de um poeta não se dobra, ele não cala sua voz envolvente,
De um poeta nada se cobra, pois está ao lado do povo, de sua gente.
Mas admito que seja um pouco egoísta, e quer alguém sempre de seu lado,
Como se fosse um grande artista, que quer ver seu trabalho aprovado.
 


Com tanta pureza que carrega n’alma, ele jamais perde a sensibilidade,
Perde, pois, sua calma, quando se defronta com quem teme a verdade.
Se o céu escurece pela ilusão perdida, ele vive em um mundo de cores.
Assim vive o poeta sua vida, defendendo seus ideais, amando seus amores.



Ivan Jubert Guimarães


Direitos reservados ao autor