Ivan Jubert Guimarães
11/02/2012



Meio de tarde chuvosa, mas sem frio;
Um sábado em que o tempo não passa,
Um quarto de hospital vazio,
Ninguém deu o ar de sua graça.


É como estar na antecâmara da morte
Assistindo a projeção do filme da vida,
Vendo os momentos de azar e de sorte,
Revendo lições que estavam perdidas.


É a hora certa da reflexão desmedida,
Onde o poeta escreve sua última poesia,
Ele pressente o momento da partida
E, talvez, seja hoje o seu último dia.


No silêncio do quarto deixa seu adeus;
Relaxa seu corpo e sua mente,
E consegue aproximar-se de Deus.
A tristeza vai embora e fica contente.


Sente tranquila sua consciência;
Tudo o que fez, fez à sua maneira;
Os pecados que teve foram por inocência,
Não foram poucos em sua vida inteira.


A chuva continua e a tarde escurece,
E o poeta sente invadir sua alma
A luz de uma linda prece
Que irradia por seu corpo a calma.



Ivan Jubert Guimarães

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Midi: André Gagnon - Les jours tranquilles.