Ivan Jubert Guimarães
12/10/2008
 


Você criança que vive na contramão da infância,
Que anda pelas ruas sem qualquer esperança,
Ah criança de olhos tristes e vazios, barriga vazia,
Nem sabe talvez criança, que hoje é o seu dia!
 


Criança que não terá seu café da manhã, como tantas;
Que irá vagar pelas frias ruas da cidade o dia inteiro,
Abrigando-se, aonde der, para escapar da garoa,
Pedindo, esmolando por um pouco de dinheiro.
 


Criança que não terá brinquedos e nem almoço;
Como desejar a você que tenha um dia feliz.
Se tudo o que tem está em seu bolso,
Numa pedra a ser queimada, fumegando em seu nariz?
 


Enquanto nas casas dos mais afortunados,
O dia promete ser só de alegria e contentamento,
Brinquedos são amontoados, celulares são trocados,
E você não entende o porquê desse comportamento.
 


Pessoas que passam e a olham com desgosto
Alguém lhe atira uma moedinha pela janela do carro,
Não lhe diz uma palavra, mal olha para seu rosto,
Muito menos para seus pés, descalços, sujos de barro.
 


Criança, o seu abandono é culpa dessa sociedade,
Que é por demais egoísta e nada lhe oferece
E que lhe nega até uma única oportunidade,
De obter o respeito que toda criatura merece.
 


Em algum lugar farão uma festinha, esses ignorantes!
Rico gosta de comprar a consciência,
Levarão brinquedos, sanduíches, refrigerantes,
Mas não lhe darão um abraço, então paciência!
 


Sei que para você a vida não tem mais encanto;
Sei também que talvez nem chegue a crescer;
E se neste seu dia derramo todo meu pranto,
É apenas porque você nasceu para morrer.
 

 


Ivan Jubert Guimarães


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