Ivan Jubert Guimarães
23/01/2012
 

Para a Rita


Era uma linda tarde de verão
E no céu predominava o azul.
De repente pareceu um furacão
O vento que soprava forte lá do sul.


Nuvens cinzas surgiram num instante,
Escurecendo a luminosidade do céu;
Tudo indicava que choveria bastante,
E pessoas, com medo, corriam ao léu.


Procuravam apressadas por um abrigo,
De uma tempestade que se anunciava,
Como se a chuva representasse perigo,
Uma mulher apertava seu filho e rezava.


A chuva refrescante caía sem cessar,
E todos espremidos contra as paredes,
E cada vez chegava mais gente no lugar,
Pareciam peixes se debatendo nas redes.


Ninguém olhava nada, não via nada,
Um raio cai na cidade escurecida,
Seguido por uma forte trovoada,
E ouvia-se "Nossa Senhora Aparecida!".


Era grande o temor da Mãe Natureza,
Que todos se abrigavam sob as marquises,
E escondidos não viam a grande beleza
Que Deus mandava para nos tornar felizes,


Livrando-nos de um calor sufocante;
Alguns meninos brincavam nas ruas,
Chutando água nos carros passantes,
Enquanto, molhados, riam com as costas nuas.


Do mesmo jeito que veio, a chuva foi embora;
Os meninos pararam, porque já não tinha graça,
Graças a Deus, bendita Nossa Senhora,
Benziam-se os medrosos que cruzavam a praça.


O céu clareava ficando azul de novo
E a luz do sol voltava a aquecer a cidade.
Com cabeça baixa, assim caminhava o povo,
Que não percebia a beleza do pós-tempestade.


Um ar de grande pureza se fez sentir,
Deus lavara a terra como um presente,
E um lindo arco-íris Ele fez surgir
Trazendo beleza aos olhos da gente!


Ivan Jubert Guimarães

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