Ivan Jubert Guimarães
08/12/2006



Muita bronca
Poucas surras
Muito choro
Sempre às turras
Muita manha
Muito mimo
Artimanha
De um menino
Para ter o seu brinquedo.
Tive muitos machucados
Só por guardar um segredo.
Muitos tombos e caneladas
Nas brincadeiras
E nas peladas.
Fui crescendo
Fui brigando
Às vezes batendo
Outras apanhando
Mas não fugia
De quem quer que fosse,
Levei pedrada
Tomei rasteira
Estilingada
Às vezes,
Escondido,
Até chorava.
Mas desaforo,
Ah! Eu não levava.
O tempo passa
A gente cresce
Vem a paquera
Que não se esquece,
Muita quimera
Muitas paixões
Poucos amores
Muitos amassos
E apertões:
Beijos de todos os sabores,
Coxas coladas nos abraços.
Mas um dia chega o momento
De assumir responsabilidade
Em seguida o casamento
E a busca da felicidade.
A vida segue seu rumo,
E me fantasio de gente,
Estufo o peito com aprumo
E logo viro gerente.
Chegam os filhos
Que crescem depressa
Se ficam nos trilhos
A alegria começa.
Chega a idade
Feliz e sorrateira
Em alta velocidade
A vida é passageira.
Na mente muita lembrança
Quedas voltam a acontecer
Diferentes dos tombos de criança
Pois logo estava a correr.
Hoje já me ergo com dificuldade
Mas não me deixo ficar no chão
E se no peito carrego saudade
Tenho muito mais amor no coração.


Ivan Jubert Guimarães


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