Capitulo 25
 
A conversa com os pais
 
 
- Adenaíra contraiu uma gravíssima infecção hospitalar, filho...
  Bruno ficou chocado com a notícia. O Roberto que conhecera era tão alegre, tão saltitante... "Assim, adormecido e com esta touca, é incrível  a semelhança com Jeitosinha", pensou. Adenaíra abriu os olhos e viu  Bruno, ao seu lado, com as bandagens envolvendo a cabeça.
  - O que houve, meu amor? - balbuciou.
  - Nada, não se preocupe. Caí da escada - mentiu o rapaz, numa tentativa de minimizar o sofrimento daquela recém mulher.
  - E-eu... f-fiz isso por você, Bruno. Fiz por amor...
  Os olhos de Adenaíra voltaram a se fechar.
  - Doutor... Quais as chances? - perguntou o angustiado rapaz.
  - Depende muito. Ela pode simplesmente se entregar à doença, e as chances  serão mínimas. Mas se ela se apegar a algo que a faça querer viver, e se o antibiótico em estoque não for de Maizena, talvez ela tenha alguma  chance.
  - É uma pena... Gostaria de poder ajudar.
  - Você pode! - disse o médico - Ela o ama! Dê-lhe esperanças!
  Bruno continuava perdidamente apaixonado por Jeitosinha. E o que é pior: por Jeitosinha completa, versão de fábrica. "Se Roberto soubesse que seu sacrifício ao realizar a cirurgia apenas aumentou o abismo entre nós...", refletiu. Mas por outro lado, tentar salvar uma vida era motivação suficiente para faze-lo recuperar o amor pela sua própria existência, depois da grande desilusão de encontrar a amada trabalhando num bordel.
  Via como algo mais que uma simples coincidência o fato de que estavam juntos num mesmo ambulatório.
  - Tudo bem, doutor. Eu vou ajudar! - concluiu, conformado com aquele jogo do destino.
  Em sua casa, sozinho no quarto, Ambrósio tentava reorganizar suas idéias.
  Será que foi mesmo vítima de Jeitosinha? E os homens verdes? Novas imagens se formaram em sua mente depois do choque diante da detetive Joana.
  Lembrava-se, remotamente, de uma linda menina loira, que ele amava muito.
  Sim, talvez fosse Jeitosinha. Ele começava a se lembrar dela. Para preservar sua sanidade, Ambrósio estava disposto a não associar a filha àquela cena dantesca, e simplesmente esquecer o ocorrido.
  Mas Jeitosinha não. "Aproveitando-se do fato de que estavam a sós na casa, a moça entrou no quarto dos pais para conversar com o seu deformado genitor...
  - Papai...
  - J-jeitosinha? - Ambrósio ainda tinha uma ponta de medo na voz -D-desculpe-me pelas acusações na sala. Minha cabeça não anda boa.
  - Engana-se, velho sórdido!!! Sua cabeça anda melhor do que você pensa.
  Ambrósio foi tomado pelo pânico! Aquele sorriso sarcástico e cruel! Sim, não fora uma fantasia! Jeitosinha o havia mutilado com a moto-serra!
  - Não! - Gritou o homem - Me deixe em paz! Socorro!
  - Grite... Ninguém lhe ouvirá.
  - Não me mate! - implorou, de joelhos, abraçando os pés da loira.
  - Eu não seria tão imbecil. Não agora, com aquela detetive intrometida por perto. Mas eu lhe aviso: se repetir aquelas acusações para quem quer que seja, não pensarei duas vezes antes de consumar o serviço que pensei ter finalizado...
  - Sim, sim... - disse Ambrósio, patético, entre lágrimas - Serei um túmulo!
  Mas... Por favor, me ajude... Ainda não sei se estou bem...Só me lembro de algumas imagens completamente surreais... Homens verdes e... e..
  Jeitosinha sorriu maliciosamente, abriu o zíper expôs seu enorme mistério.
  - Sim, Ambrósio. Pelo menos isto é real. Mas que história é essa de homens verdes? Que idiota colocaria estúpidos homens verdes em nossas vidas, tão quotidianas? O homem sacudiu a cabeça, confuso. Jeitosinha acariciou sua cabeça, fazendo homem se encolher ainda mais.
  - Vou deixar-lhe em paz por enquanto. Mas tenho um pedido, papai: você me ajudará no meu próximo plano de vingança... .
 
  Lágrimas no hospital! Sexo e violência! Não perca o próximo capítulo. Só faltam 4 para o desfecho de tão emocionante quanto épica saga!