Ivan Jubert Guimarães
24/12/2008
 


Hoje é a véspera de Natal e quase em todos os lares há muita correria, um presente de última hora, a lampadinha que queimou, justo hoje, e a cozinha meu Deus, parece cozinha de restaurante, com pessoas correndo preparando os assados, a maionese, um arroz diferente, com passas talvez, muitas sobremesas, alguém cuidando da arrumação da mesa, toalhas novas, copos de cristal, pratos do aparelho de jantar, em porcelana.


Hoje é a véspera de Natal e estamos preocupados em saber se dará tudo certo logo mais à noite. Se todos virão (o que será que eu vou ganhar este ano?), se ninguém vai se exceder na bebida como em anos anteriores, coisas do tipo.


Requinte e bom gosto e bons pratos, muita comida e muita bebida. Bandeja de frutas que toma conta da mesa, como enfeite e para eventual degustação após a ceia.
Bonito de ver! Mas tão diferente do que aconteceu há muito tempo!


Maria e José estavam indo para Belém para que participassem do censo que estava por acontecer. José caminhava puxando um burrico no qual se sentava Maria, grávida, cansada de uma longa viagem. A noite ia chegando rapidamente e tiveram que parar e pararam exatamente em Belém, mas devido ao censo, a cidade estava lotada, não havia vagas em nenhuma hospedaria e José teve que se contentar em abrigar Maria em um estábulo, cedido pelo hospedeiro.


Não havia cadeiras e nem uma mesa arrumada como em grande parte dos lares de hoje, e Maria sentou-se ao chão enquanto José tentava arrumar algo para comerem e beberem água fresca.


Conta-se que no instante em que pararam, uma estrela também parou no céu e seu brilho indicava o exato lugar onde José e Maria pernoitavam. Maria começou a sentir as dores do parto e logo depois deu à luz a um menino que recebeu o nome de Jesus. Pessoas guiadas pela estrela chegaram ao local, eram reis que traziam oferendas, eram pessoas que sabiam que o filho de Deus acabara de chegar.


Seu berço, seu berço foi uma manjedoura forrada com capim para amaciar aquele corpinho que acabara de nascer.


Não houve comemoração naquele dia, também não houve nenhuma celebração, houve sim a redenção de homenagens àquela criança iluminada.


Portanto, hoje à noite, coma o que você preparou, não é preciso jogar nada fora, claro que não. Beba seu champagna, brinde com amigos e familiares, fique alegre mas não exagere. Receba seu presente vindo de quem for, mas receba-o com alegria. Talvez aquilo que você não goste tenha sido comprado até com sacrifício.


Se der tempo lembre-se de como e onde Jesus nasceu: no meio de alguns animais que logo mais estarão assados em sua mesa. Quer um Feliz Natal? Você terá, com toda a certeza. Basta entender esta passagem e não fazer comemorações e nem celebrações, apenas render uma homenagem.
 


Ivan Jubert Guimarães


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