Ivan Jubert Guimarães
16/12/2013

 

 

Todos os anos, quando o Natal se aproxima, um sentimento de nostalgia invade minha alma. Sempre foi assim, desde os tempos de criança, mesmo com aquela ansiedade de receber presentes.
Até recentemente, meus natais sempre foram familiares, alguns deles só com esposa, meus filhos e meus pais. Com o tempo os natais íntimos foram sendo abandonados e eu fui perdendo aquela ansiedade pela data.

Meu casamento acabou e o meu primeiro natal solitário, que eu pensava que fosse ser o mais triste de minha vida, acabou por ser o mais lindo Natal de todos os tempos. Foi maravilhoso estar em um salão com cerca de quatrocentas pessoas em absoluto silêncio quebrado apenas por um cântico gregoriano, à luz de velas, e uma ceia que parecia ser a última ceia de Cristo.

Passei mais alguns natais como esse, mas não tiveram o mesmo brilho. Após novo fracasso do casamento, meus natais se tornaram realmente solitários. Não que faltem convites, mas hoje eu prefiro passar os natais apenas com o Mestre.

Esta solidão voluntária na noite de Natal me proporciona uma introspecção e um contato maior com o aniversariante do dia. Preparo minha ceia apenas com pão, mel, coalhada, algumas frutas secas, uvas e vinho. Ouço canto gregoriano e me imagino em outro tempo. Pode parecer uma coisa um tanto idiota, para alguns, mas eu converso com Cristo. Este ano será o quinto ano que passarei sozinho, embora tenha passado um Natal em um leito de hospital.

Como disse antes, nunca me fantasiei de Papai Noel para meus filhos, mas tenho sido Papai Noel para as crianças e adultos de um hospital onde exerço um trabalho voluntário. Também fui Papai Noel em asilos de idosas. É uma coisa maravilhosa ser recebido com beijos e abraços de crianças com os olhinhos brilhantes de emoção e ver a felicidade daquelas senhorinhas abandonadas pelos filhos. Este tem sido meu melhor presente.

Às vezes eu penso na solidão de Papai Noel, o verdadeiro, que sai com suas renas e seu trenó carregado de brinquedos e vai de casa em casa deixando os presentes em meias penduradas nas janelas, nas lareiras e muitas vezes tendo que entrar pelas chaminés. Entra nas casas, deixa os presentes e sai sem ser visto por ninguém. Quando termina seu trabalho, volta para sua casa com o sentimento do dever cumprido. Mas está só com suas renas e os sininhos já nem tocam mais.
É assim que eu me sinto, embora nos últimos anos não tenha mais trocado presentes de Natal. Para mim, o Natal deixou de ser uma festa de comilanças e bebedeiras e presentes dados sem aquela vontade real de presentear.

A história conta que o menino Jesus recebeu presentes em seu nascimento dos reis magos, mas não me consta que tenha usado algum deles em sua vida.
Hoje não me interesso mais por presentes. Perdi o hábito de comprá-los e de ganhá-los. Quando desejo um Feliz Natal para alguém, quem fala é voz de meu coração e não minhas cordas vocais.

 

Neste instante em que escrevo, é meu coração que diz "Feliz Natal para você!"
 


 

 

Ivan Jubert Guimarães


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Midi: Natal - Andre Rieu - Christmas Kerst.