Ivan Jubert Guimarães
Natal de 94
 


Neste Natal, antes de abrir os presentes, da primeira champanhe, ou de outra bebida qualquer; antes de se fartar com os pratos cuidadosamente preparados, medite um pouco sobre sua vida e sobre a vida de seus semelhantes.
Procure entender que se sua mesa é farta, se sua árvore está cheia de presentes, tem muita gente, que nesse mesmo instante, está padecendo de alguma dor.
Alguém, em algum lugar qualquer, enquanto você degusta uma champanhe, pode estar sentindo a sede que só os mais sofridos possuem.
No exato momento em que você estiver se preparando para fazer o primeiro corte em seu assado, uma barriga distante pode estar roncando.
Na hora dos presentes, quando você estiver abrindo o seu, lembre-se de que muitas pessoas não estarão vivendo a mesma emoção.
Claro que você não tem culpa alguma disso. Mas você pode fazer alguma coisa.
É comum, em dias como esse, que a campainha da casa onde você mora toque muitas vezes. Se você desejar fazer algo, atenda à porta. E não diga, em hipótese nenhuma, “hoje não tem”. Lembre-se que logo mais à noite e também no almoço de Natal, sua mesa estará farta. Lembre-se que embaixo de sua árvore tem presentes suficientes e que apenas um, poderá dar uma alegria muito grande para quem o receber.
Se sua mesa, entretanto, não tiver aquela fartura e sobre ela tiver apenas um frango assado, um arroz branco e uma cerveja, no lugar do champanhe, alguém, em algum lugar daria tudo para saborear uma asinha de seu frango.
Você pode fazer alguma coisa, pelo menos nesse dia, você pode.
Na hora da ceia agradeça por aquilo de que você dispõe. Faça o mesmo no almoço de Natal. Peça a Deus para que aqueles que não têm nada possam estar recebendo algo de alguém.
Lembre-se daquele que é o dono da festa, que chamará muitos mas escolherá poucos.
Assim, não comemore, apenas celebre.
Isto é o mínimo que você pode fazer. Faça o mínimo e você verá que o seu Natal será realmente feliz.
Um Feliz Natal para todos, inclusive você!

 



Ivan Jubert Guimarães


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