Ivan Jubert Guimarães
04/12/2010

 

 

     Tenho me vestido de Papai Noel nos últimos anos. Aquela alegria que nunca dei aos meus filhos, a não ser um saco vermelho que enchia de presentes e deixava escondido em algum lugar até que eles achassem, hoje dou para outras crianças. São crianças transplantadas que claro, além de brinquedos, também desejam saúde.

     A primeira vez foi por mero acaso, foi de última hora e não tive coragem de dizer não. Confesso que estava "até um pouco envergonhado", mas na hora em que a porta do anfiteatro se abriu e eu apareci e ouvi os gritos das crianças, eu quase chorei de emoção.

     Depois disso, fui Papai Noel outras vezes e este ano já vesti a fantasia duas vezes, uma vez para jovens universitários e outra num asilo de senhorinhas muito simpáticas. Uma torrente de emoção novamente.

     Talvez eu ainda me vista de Papai Noel mais uma vez, ainda. Como voluntário de uma associação voltada para atendimento de pacientes transplantados, sempre fazemos uma festinha para as crianças transplantadas renais. Mas creio que vou deixar outra pessoa sentir as emoções que eu tenho sentido, até porque dá uma vontade danada de ver o Papai Noel.

     Muita gente não acredita em sua existência, mas ele existe sim, é que estamos acostumados a vê-lo descendo por chaminés ou andando de trenó puxado por renas. Eu nunca vi uma rena na vida, mas já vi Papai Noel. Tenho até uma roupa igualzinha a dele!

     O meu Papai Noel de verdade está dentro de meu coração. Eu sei que comemoramos o Natal com muita comida, com muita bebida e costuma-se trocar muitos presentes. Na verdade, Natal não é isso, embora eu já tivesse feito coisas assim muitas vezes em minha vida. Apesar da alegria eu sempre senti uma nostalgia, parecida com tristeza. Era algo que vinha de dentro, lá do fundo de minha alma.

     A comemoração do aniversário de Jesus deveria ser algo mais íntimo, mas muita gente nem se lembra dele. Comenta-se que Jesus teria nascido no mês de outubro e não em dezembro, mas não importa. O que vale é a lembrança que temos de seu nascimento.

     Há tempos eu não comemoro o Natal, eu simplesmente o celebro. Às vezes, em silêncio, eu digo para o Mestre: "Feliz Aniversário!". Sei que ele escuta e às vezes acho até que ele retribui o desejo no dia de meu aniversário.

     Este ano eu já decidi: vou passar o Natal com meu Mestre. Apenas Ele e eu, numa ligação espiritual muito íntima. Já escolhi o cardápio para nossa ceia e só vou me desculpar com meu convidado, porque servirei vinho. Caso ele não goste, poderá transformá-lo em água que não me importarei.

     Eu não sei bem o que dar a Ele, na verdade de nada Ele precisa. Então vou me dar a Ele, por inteiro, e talvez a gente vare a noite conversando.

     Mas uma coisa eu tenho certeza que farei: vou vestir minha roupa de Papai Noel!

 


Ivan Jubert Guimarães

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