Ivan Jubert Guimarães

Mãe,
 


Eu já escrevi outras vezes para você. Já escrevi poesias e mensagens do meu amor, embora muitas vezes eu deixe prevalecer minha zanga, apenas por não entender que o tempo tem passado depressa demais e certas coisas que você me diz, me causam irritação.
Mas acredite que eu reconheço seu esforço para me agradar, cuidar de mim, embora eu já pudesse ser avô se os meus filhos tivessem querido ter filhos.
Eu hoje lido com muitas crianças e acho que eu seria um avô como você tem sido uma boa avó para os meus filhos, embora eles já sejam adultos e já tenham pouco tempo para nós.
Todas as vezes que chega o dia das mães, eu me lembro de um monte de coisas que fizemos quando eu ainda era um menino de calças curtas. Ah como eu odiava usar calças curtas mãe. E hoje, quando estou em casa, uso bermudas o tempo todo.
Fazer o que você faz, na sua idade, não é para qualquer um não. Precisa ter força, coragem, vontade e principalmente muito amor. O perdão mora dentro de você e, meu Deus, como tenho desapontado você com a minha impaciência e com meu temperamento. Mas saiba, mãezinha, que eu amo você e que dou graças a Deus por tê-la ainda comigo, me dando o mimo que eu tanto necessito, mas que nunca tenho coragem de demonstrar.
Eu sei que você sabe disso, eu percebo, mesmo quando me irrito com suas oferendas, o tamanho do seu amor por mim. Pena que eu, apesar de ter reconhecido isso, eu nunca manifeste a você o meu contentamento. Não vou pedir perdão, pois eu sei que você me dirá que não há o que perdoar e que tudo o que faz, faz porque quer me agradar.
Sabe mãe, eu deveria agradecer a Deus, todos os dias, por ainda tê-la em minha companhia e vou fazer isso agora:
“Ó Senhor, meu Deus, eu Te agradeço por ter me dado a mãe que eu tenho e que já está comigo há mais de 60 anos de minha vida aqui na Terra. Eu Te agradeço, Senhor, por fazer com que apesar de todo o sofrimento e humilhações que ela passou pela vida, ela nunca ter desistido de mim e sempre estar ao meu lado em todos os momentos alegres e tristes que eu tive em minha vida. Eu agradeço pelo colo que ainda tenho em meus 60 anos e eu posso dizer que sou um homem de sorte. Poucos, em minha idade, ainda têm mãe! Ó Deus! Como sou privilegiado mas, ao mesmo tempo, tão mal agradecido. Perdoe-me, Senhor, por minha intransigência com ela e muito obrigado por estar deixando-a comigo por tanto tempo. E por falar em tempo, Senhor, se não for pedir muito, deixe-nos juntos por mais tempo ainda.”
Pronto mãe, Deus já está sabendo o quanto eu gosto de você. Só falta agora eu dizer-te isso do jeito que eu sei: Eu te amo!
 


Seu filho,


Ivan Jubert Guimarães
11 de maio de 2008


Ivan Jubert Guimarães
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