Ivan Jubert Guimarães
Junho 2012

 

 

 

Eu sei que um amigo, amigo de verdade, é aquela pessoa que tem os mesmos objetivos que a gente tem. Pode ser parente, irmão e ter um convívio diário onde há coleguismo e companheirismo, mas isto não quer dizer que sejam amigos. Até porque amizade exige sacrifício.

Uma pessoa legal pode não ser uma pessoa amiga. Muitas vezes, esta pessoa usa de artifícios para parecer simpática e mostrar algo que seja diferente do que ela realmente é.

Quando temos os mesmos objetivos somos amigos de quem a gente nem conhece e que pode estar vivendo muito distante de nós. Amizade é coisa séria, não é brincadeira.

Você tem amigos? Quantos? Por quantos deles você se sacrificaria e, deles, quantos você acha que se sacrificariam por você?

O objetivo provoca uma sintonia, uma simbiose de entendimento entre duas pessoas. Amigo não é aquele que faz tudo o que nós queremos, é, sim, aquele que faz tudo o que precisamos. Às vezes ele briga, discute conosco porque é o melhor que ele pode fazer para ajudar.

Eu tenho amigos e sei que temos os mesmos objetivos, então eu sei que somos amigos. São poucos, mas tenho amigos.

Desses amigos todos, tem um que nunca conheci. Está fazendo um ano que ele morreu. Morreu. Mas tenho ouvido e lido tanta coisa a respeito dele que passei a admirá-lo. Ele foi até um sujeito popular e muitas pessoas choraram sua morte. Artista, cartunista, cantor e compositor mineiro, tão bom como as cachaças das Minas Gerais acompanhadas de um bom torresmo.

Mas como ele pode ser meu amigo se nunca nos conhecemos? Pode ser que não, mas o modo como ele viveu sua vida me faz crer que seríamos grandes parceiros. Mas, cá entre nós, eu acho que nós nos conhecemos em outras vidas. Pode ser que sim e pode ser que não, vá saber!

O que vale mesmo dizer é que eu tenho certeza de que nós nos encontraremos quando eu morrer. Nunca tive o talento dele, mas sei que sofri as mesmas coisas que ele. E isso fez com que eu me aproximasse dele.

Sabe? Esse cara tem um olhar penetrante que consegue entrar na gente e vasculhar cada entranha do nosso corpo e de nossa mente. Não dá para explicar em palavras, mas dá para sentir. É isso, sentir!


Eu não conheci Bellinho, mas o sinto perto de mim!

Até um dia, amigo!


 

Ivan Jubert Guimarães

 

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