José Bello da Silva Júnior, que era um homem bonito por fora, era ainda muito mais "bello" por dentro.

Entre muitas habilidades artísticas, Bello destacou-se como chargista do jornal Tribuna de Minas, mas era também um artista muito versátil. Segundo a revista Em Voga, além de chargista, “Bello era cartunista, desenhista, caricaturista, pintor, ator, cantor, compositor (suas paródias eram incríveis), grande comunicador, muitas vezes imitador, escultor, poeta, performer...” “Além disso, criava logotipos com uma facilidade incrível, ilustrava livros, um grande cozinheiro, enfim... um artista completo e com um enorme talento”.
Não podemos deixar de citar também suas atitudes altruístas, como quando se vestia de Papai Noel, para alegrar o Natal de crianças carentes.

Nas festas em família ele era o animador e muitas vezes se fantasiava para alegrar as pessoas. Parecia um palhaço extravasando sua alegria, mas sabemos que todo palhaço também carrega sua cota de tristeza no coração.
 

 


E por falar em coração, o de Bellinho, como era carinhosamente chamado por todos que o conheceram, era suficientemente grande para acolher todos os seus amigos, que eram muitos, e principalmente seus familiares. Irmão mais novo de uma família com seis irmãos carregou o apelido de Bellinho por toda sua vida.

E de novo falando em coração, foi justamente ele que o arrancou subitamente de nosso convívio. Hoje, talvez, esteja fazendo suas charges no céu, quem há de saber?

Seus irmãos sempre se orgulharam muito de sua trajetória que foi marcada pelo sucesso e pela simpatia que despertava em todos os que tiveram a chance de desfrutar de seu convívio. Dessa forma conquistou amigos que até hoje confessam abertamente "Saudades do Bello" - Turma da Padre Café, Turma do Cascatinha, Turma da Directoria, Turma do Bené, Turma do Alma de Poeta e tantas outras.

 

 

 

Nossa família ficou mais triste: "...muitos dias se passaram, suas tintas derramaram, seus lápis endureceram, suas canetas secaram, seus papéis amareleceram e as pessoas... choraram. Seu violão se calou, suas fantasias rasgaram, suas caricaturas cessaram, suas charges acabaram , mas seu talento continuou em Nicolle e Lais, filhas que tanto amou.

Como um passarinho nas mãos ele escapoliu e voou. Voou para a eternidade deixando muita saudade. Deixou também muita dor, pois ele foi a prova de amor que ganhou a liberdade!" (Ione)

Como irmã mais velha que se sente um pouco mãe dele, pois ajudou a criá-lo desde que nasceu, Laïs se confessa sensitiva e disse ter a certeza que ele foi recebido no 2º andar, aplaudido de pé e que une suas gotinhas de admiração às de Ione e Rita, que formarão um oceano de orgulho para homenageá-lo pela sua linda trajetória de sucesso profissional. (palavras de sua irMÃE Laïs).

Rita diz com muita emoção que nesse Bello dia, seu coração transborda de alegria por ver que seu irmão com muito fervor, fez da sua profissão, instrumento de amor.

Ah...e a Marlene, uma cunhada que foi sua irmã de fé e também quase mãe. Deu a ele o colo, o aconchego, o apoio e o amor em seus momentos mais difíceis.
 

 

 

 

Bellinho, um juizdeforano apaixonado começou sua carreira de desenhista na época em que ainda era estudante de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Mas o seu muso inspirador mesmo foi o José Renato Pipa que ele desenhou inúmeras vezes.

Sua veia cômica aflorou quando começou a fazer caricaturas de seus amigos da universidade e através de uma exposição na Semana de Engenharia. Dado ao sucesso foi convidado a trabalhar em alguns jornais da cidade até que foi para a Tribuna de Minas onde ficou por longos anos.

Além das charges que o tornaram conhecido e respeitado na cidade, Bellinho também se destacou na criação de logotipos e ilustrações para produtos educativos e profissionais.

Na década de 1980, aconteceu a Feira de Humor em Juiz de Fora e a charge vencedora foi publicada em jornais de todo o país, inclusive exibida no Jornal Nacional da Rede Globo. A charge retratava as figuras de João Sayad e do Ministro Delfim Netto que se fundiam uma com a outra.

 

 

 

Além disso, foi vencedor também do 1º Salão do Humor

 

 

 

 

 

 

Bellinho foi muito incentivado pela família que sempre reconheceu seus inúmeros talentos, portanto, em todas as oportunidades era muito comemorado. Ele se orgulhava muito de em tantos anos de Tribuna de Minas, nunca ter deixado um dia sequer de lançar uma charge inédita, até mesmo quando esteve hospitalizado em decorrência de uma cirurgia cardíaca. Em suas férias também, de onde estivesse mandava seus desenhos ao jornal pela internet.

 

 

 

 

As homenagens que recebeu em reconhecimento às suas atividades profissionais são inúmeras. Citaremos algumas, mas aproveitamos para agradecer a todos que reconheceram seu trabalho e sempre lhe dedicaram um carinho especial:

- o Título de Cidadão Benemérito que lhe foi conferido pela Câmara Municipal de Juiz de Fora
- o Troféu recebido de Léo Peixoto como Personalidade do Ano
- a placa que a Directoria do Bar do Cascatinha colocou no estabelecimento em sua homenagem
- ter sido o enredo do Bloco do Beco cujo tema foi "Porque o simples é belo e o Bello sempre será!"
- a linda exposição organizada pelo Sobrado Espaço Cultural
- o sarau oferecido pela AABB
- a Exposição da FUNALFA apresentando seus desenhos e também alguns quadros a óleo

 

 

Pelo sucesso de seu trabalho muito bem aceito no jornal Tribuna de Minas, Bellinho tornou-se um cidadão muito querido e respeitado na cidade. Recebeu inúmeras homenagens de várias entidades e, também, dos bares que frequentava com os amigos.

Há muito que se falar de Bellinho, o brincalhão, o gozador dos amigos, o boêmio e o camarada que todos estimavam.

Como diria um antigo locutor de rádio de São Paulo, José Roberto da Silva Jr. "ficará para sempre incrustado na ternura e sinceridade no nosso cantinho de saudade”.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

Direitos reservados ao autor

 

 

Fontes:


Revista em Voga
Site de Zé Roberto Graúna
Blog do Caju

Entrevista com o Bello: pontoinformativo.wordpress.com/2011/05/15/entrevista-com-o-chargista-bello/
Acervo da Família
 

 

Midi: música de autoria e cantada pelo Bello

 

 

 

 

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