Ivan Jubert Guimarães

20/04/2013

 

 

SACUDINDO A POEIRA

 


“Fazer samba não é contar piada, quem faz samba assim não é de nada...” e os sambas de Paulo Vanzolini vinham lá de dentro do coração, traduzindo em melodia a incerteza da procura pelos bares da cidade pelo amor que escapava e, em meio a olhares estranhos, era procurado sem ser encontrado.

Uma cena tão comum e banal que virou uma das mais belas páginas do cancioneiro paulista e brasileiro. É que sempre disseram que paulista não faz samba.

Uma das músicas mais bonitas já compostas chama-se Na Boca da Noite e pouca gente conhece, mas possui versos que traduzem a alma boêmia de um homem apaixonado por uma mulher: “Cheguei na boca da noite, parti de madrugada, eu não disse que ficava, nem você perguntou nada. Na hora que eu ia indo, dormia tão descansada, respiração tão macia, morena nem parecia que a fronha estava molhada, vi um rosto na janela, parei na beira da estrada. Cheguei na boca da noite, saí de madrugada...”

Dia desses, no banho, me veio à cabeça uma das mais filosóficas letras de samba que conheço, e cantei e na situação em que eu me encontrava lágrimas se misturavam com a água do chuveiro. E aí, então, eu chorei e reconheci minha queda, me levantei e jurei que vou dar a volta por cima.
 

Adeus Paulo Vanzolini, zoólogo e compositor. Não é para qualquer um ser o que você foi.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

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