Ivan Jubert Guimarães
09/03/2015
 


A vida é luz e ninguém soube mantê-la tão brilhante como a já inesquecível Inezita Barroso.
Eu ainda me lembro de quando era um garoto lá pelos idos de 1958 e meu primo e eu andávamos pelas ruas do Brás, indo em direção ao Mercado Municipal, cantando Lampião de Gás.
A letra era tão real que nós dois ficávamos imaginando aas paisagens retratadas na música. Estávamos no cenário ideal, passávamos pela Rua do Gasômetro e sentíamos o cheiro do gás.
Inezita Barroso foi para mim o primeiro ícone da música brasileira e sua música, fosse qual fosse, era cantada com alegria e um lindo sorriso no rosto.
Houve época em que eu assistia a seu programa na TV Cultura todos os domingos. Era um momento de reviver os tempos de infância que passei no bairro do Brás em São Paulo.

 


Lampião de gás, lampião de gás,
Quanta saudade você me traz
Da sua luzinha verde azulada
Que iluminava a minha janela
Do almofadinha lá na calçada
Palheta branca, calça apertada.
Do bilboquê, do diabolô
Me dá foguinho, vai no vizinho
De pular corda, brincar de roda
De benjamim, jagunço e chiquinho
Lampião de gás
Lampião de gás
Quanta saudade
Você me traz
Do bonde aberto, do carvoeiro
Do vossoureiro, com seu pregão
Da vovózinha, muito branquinha
Fazendo roscas, sequilhos e pão
Da garoinha fria, fininha
Escorregando pela vidraça
Do sabugueiro grande e cheiroso
Lá no quintal da rua da graça
Lampião de gás
Lampião de gás
Quanta saudade
Você me traz.

 


Ivan Jubert Guimarães

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Midi: Lampião de Gás