Ivan Jubert Guimarães
07/06/2016

 

 

Ele ainda era um menino, mas já tinha dentro de si o sentimento das diferenças sociais e raciais. Costumava perguntar coisas à sua mãe que tinha dificuldades em responder suas questões. Como explicar a um garoto negro o porquê dos anjos serem brancos, de Jesus ser branco pelas imagens que ele conhecia.
Sabendo que os anjos eram brancos, ele perguntava para sua mãe se quando ele morresse ele iria para o céu porque ele era um garoto negro.


Ele cresceu e carregava dentro dele um sentimento de inconformismo por ser diferente. Transformou-se em lutador de boxe e foi campeão olímpico.


Quando voltou para sua cidade, Louisville, colocou a medalha no peito e foi em um restaurante local, entrou, sentou-se e pediu café e um hot-dog. O garçom disse que eles não atendiam negros e foi chamar o gerente diante da insistência do campeão olímpico. O gerente chegou e disse que ele teria que ir embora, porque eles não serviam negros e ele respondeu que ele não queria comer negros, mas um hot-dog. Mas teve que deixar o local.


Dizem que depois disso jogou a medalha olímpica no rio. Converteu-se ao islamismo e mudou seu nome para Mohamed Ali. Foi o primeiro peso pesado a conquistar o tricampeonato mundial de boxe, mas antes disso foi convocado para servir no Vietnam e ele respondeu que dessa vez não iria lutar por seu país, pois os vietcongs não o chamavam de negro. O título mundial que tinha foi cassado e teve que parar de lutar por cinco anos, mas reagiu na Suprema Corte e voltou a lutar três anos depois e recuperou o título mundial.


Sempre foi irreverente, debochava de seus adversários, achava-se lindo e sempre dizia isso, dizia que ele era o maior e apesar de muitos o odiarem por isso, ele dizia apenas a verdade.
Definiu-se por sua leveza como uma borboleta, mas quando acertava um soco dizia que era uma abelha dando uma ferroada.


Sobre sua rapidez, comentou que uma vez entrou em seu quarto e apagou o interruptor e quando chegou à cama a luz ainda não havia se apagado.
Coisas como essa o tornaram uma lenda, um mito esse nunca foi santo, muitos o consideravam um deus do boxe mundial.


Assim era Mohamed Ali, ex Cassius Clay, nome que abandonou quando se converteu ao islamismo por ser um nome de descendência escrava.


Desde minha adolescência nunca perdi uma única luta dele, mesmo quando no início a televisão não mostrava eu ouvia a luta pelo rádio.


No sábado, dia 4, acordei com imensa tristeza e não conseguia escrever nada para ele. Tudo o que eu queria dizer, muitos jornalistas disseram. Mas uma reportagem me chamou a atenção: Ali dizia como gostaria de ser lembrado após sua morte. Queria ser lembrado como um americano campeão olímpico e campeão mundial de boxe e não se importaria se as pessoas não se lembrassem de como ele era belo.


Ele foi, de fato, o maior de todos os tempos e todos que lutaram com ele e que o sucederam sempre afirmaram que ele foi o maior.


Foi um grande homem que lutou não só nos ringues, mas também fora dele, por um ideal e, por isso, foi comparado a Martin Luther King, a Malcolm X, líderes do movimento antirracista nos Estados Unidos e, como eles, será sempre lembrado.
 

 

Ivan Jubert Guimarães

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