Roque Santeiro

 

Ivan Jubert Guimarães

05/04/2014

 

 

 


A viúva Porcina deixou de ser “aquela que foi sem nunca ter sido”! Roque Santeiro está morto enfim. Dona Flor também enviuvou de vez, pois Vadinho também morreu, outra vez.

Zé Wilker nos deixou tão prematuramente que faz com que pensemos mais em nossas próprias vidas. Aquela voz marcante, com um sotaque carregado lá das bandas de Juazeiro do Norte, que até outro dia se ouvia em uma novela também se apagou.

Wilker não me encantou somente na televisão, mas no teatro e no cinema também. Dirigiu peças, humorísticos e guardo comigo um grande presente: sua voz está gravada num e-book intitulado “O Dia em que Nietsche Chorou”.

Se a vida imita a arte, quem sabe Wilker não esteja como Roque Santeiro e apareça de repente para assumir seu lugar junto à viúva Porcina. Ou, quem sabe, apareça em espírito como o fez Vadinho com Dona Flor.

Será que nós estamos vivendo em um mundo de ilusões como se fosse um gigantesco vídeo game? Será que somos apenas personagens de um jogo chamado vida e que alguém manuseando o joystick nos tira definitivamente da tela? Será que estamos em uma batalha virtual onde o mal parece estar vencendo o bem? Sei que não, mas me parece que somente os bons estão indo embora.

A ciência avança a passos largos, mas o nosso prazo de validade está pequeno demais!

Você está vivo, alegre e num repente deixa de existir, como se alguém tivesse feito ‘um bom negócio”. Puff.

Para quem acredita, como eu, que a morte não existe é mais fácil suportar a ausência, já que sempre poderemos encontrar os entes queridos numa outra dimensão. No caso de José Wilker, ainda o veremos nos palcos da eternidade e nas telas do infinito.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

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Midi: Roque Santeiro Instrumental