Ivan Jubert Guimarães

 

26/06/2006

 

 

 

O mundo estava renascendo em 1946. Uma Europa destruída pela Segunda Grande Guerra pensava na reconstrução dos países anteriormente ocupados e destruídos pelas bombas.

O Japão, e o resto do mundo, ainda estavam vivendo os horrores das bombas de Hiroshima e Nagasaki

Em Nuremberg começava o julgamento de oficiais do exército alemão pelos crimes de guerra praticados pelos nazistas.

Em Zurique, na Suíça, Churchil fazia um discurso sobre a necessidade de reconstrução da Europa e pedia que a França e a Alemanha deveriam ser os primeiros países a esquecerem os horrores da guerra. Em um dos trechos de um longo discurso ele disse: “A libertação do homem comum, de qualquer raça e de qualquer país, da guerra e da servidão deve ter bases sólidas e ser criada através da vontade de todos os homens e mulheres, de antes morrer que vergar perante a tirania”.

No Brasil, tomava posse o presidente Eurico Gaspar Dutra e éramos, na ocasião, 45 milhões de habitantes.

E foi nesse panorama que você veio ao mundo! Imagino que seu nascimento esteja registrado no jornal de Pirajuí. Isso costuma acontecer com pessoas importantes.

Ainda no ano em que você nasceu foi feito um filme que já manifestava a preocupação com a ganância dos homens, era “A Felicidade não se compra”.

E ainda em 1946, a Taça do Mundo, como era conhecida, passou a chamar-se Copa Jules Rimet.

Em nossa infância tivemos bastante convivência, principalmente nos tempos da Vila Prudente, mas ela foi muito mais acentuada durante uma copa do mundo, quando o Brasil foi campeão pela primeira vez na Suécia. Você tinha 12 anos nessa época e era uma gatinha.

Um pouco mais tarde, você já mocinha, eu lembro de alguns bailinhos em sua casa nas noites de sábado. Não foram muitos. Mas o suficiente para ficarem guardados em minha memória.

Nos afastamos por um período e passamos a nos ver somente em velórios e casamentos, e as vezes os reencontros aconteciam com um pouco mais de freqüência para depois irem se escasseando novamente.

De uns tempos para cá tornamos a nos ver e a falar com mais freqüência, mesmo que numa linguagem virtual. Sinal dos tempos e coisa inimaginável há sessenta anos atrás.

Pelo que a gente vê nos jornais, tirando o avanço tecnológico, o mundo não mudou muito desde então. O discurso de Churchil poderia ser feito hoje e estaria bastante atual. E o mundo ainda está sendo reconstruído pois as guerras nunca pararam de acontecer. A taça do mundo mudou de nome outra vez, e outra vez estamos em clima de copa. Mas nós estamos evoluindo com tudo isso e, com certeza, você também evoluiu e hoje tem muito mais sabedoria que antes. A gente nota que seu espírito continua jovem e querendo fazer mais. E tenho certeza de que você vai conseguir realizar muito mais coisas ainda.

Vanda, que Deus proteja você e que na comemoração dos seus sessenta anos, todos de quem você gosta, incluindo aqueles que já partiram, possam estar presentes, cada um com seu abraço afetuoso e se lembrando dos belos momentos vividos ao seu lado.
 

Um beijo de seu primo querido.


Ivan Jubert Guimarães

Direitos reservados ao autor

 

Midi: Andre Rieu - Aniversary Waltz