Ivan Jubert Guimarães
28/09/2005



Passei há pouco pela Assembléia Legislativa de São Paulo e não sorri, embora Ronald Golias estivesse lá. Tive vontade de parar o carro e ir até lá, mas preferi não fazê-lo. Ele que sempre me fez rir não teria o direito de me fazer chorar agora. Além do mais, eu vi sua figura no retrovisor de meu carro, sonolento, barbudo, acordando de sobressalto e dizendo: "Bartolomeu, Bartolomeu Guimarães!" Foi.
Imagens da Família Trapo vieram-me à mente e foi inevitável que uma lágrima rolasse, mas, aí, eu ouvi um grito, bem alto: Ô Clide!!!!!!!!!! E, de novo, a serenidade voltou. Entrei na Abílio Soares e o prédio da Assembléia foi ficando para trás e lá atrás foram ficando os sonhos de um tempo que não volta mais, tempo que apesar de toda violência existente deixará gravado na memória de muitos um nome: Pacífico. Esse era o nome do personagem para quem tudo estava sempre bom, para aquele que levava a vida como ela deve ser levada, com sorrisos, sem a malícia do querer ter tudo, do ganhar sempre, do prejudicar os outros em seu próprio benefício.
Golias deve ganhar uma rua com seu nome embora merecesse uma avenida ou quem sabe uma praça inteira, cheia de alegria, como a praça que ele ajudou a imortalizar.
 


Ivan Jubert Guimarães
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