Ivan Jubert Guimarães
08.06.06
 

 

Torcida brasileira, carinhosamente bom dia! Quem já não ouviu as frases românticas pronunciadas pelo Fiori enquanto transmitia uma partida de futebol que, para ele, era sempre um espetáculo inigualável? Quem nunca  foi levado às lágrimas ouvindo o seu Cantinho de Saudade?
Fiori Giglioti, o locutor da torcida brasileira, se foi. E como não poderia deixar de ser, deixa-nos às vésperas de uma Copa do Mundo de Futebol, esporte que o consagrou, mas que ele, com sua linguagem única, com o respeito que sempre teve com todos os jogadores que participavam dos jogos em que ele narrava.


Cada jogador, famoso ou não, era sempre chamado de “o moço de...”.
E dizia o nome da cidade onde o jogador nascera. Dos locutores atuais, Fiori sempre foi o mais admirado. Cada gol narrado, fosse de quem fosse, era gritado com a emoção de um torcedor do time que marcara o gol.


Eu acompanhei sua carreira desde os tempos da Rádio Panamericana, atual Jovem Pan. Lembro-me de quando foi para a Rádio Bandeirantes no bairro do Morumbi e em sua primeira apresentação fez uma narrativa emocionante sobre seu regresso à emissora da qual havia saído nos tempos em que a Bandeirantes ficava na Rua Paula Souza.


Lembro do Fiori dizendo que lá no Morumbi, ele encontrara a mesma vara de pesca que um dia deixara na Rua Paulo Souza. Durante as partidas de futebol ele tinha o jargão:”o tempo passa, meia hora de jogo torcida brasileira!” O tempo passou depressa para ele, e o juiz não deu o acréscimo que a torcida brasileira desejava. Foi ele quem chamou Rivelino de o reizinho do Parque, em uma época que Pelé era (como ainda é) o rei do futebol.


Em suas narrações, quando um jogador prendia demais a bola ele dizia: “ele gosta da bola!”
Ás vezes era convidado para participar daquelas mesas redondas de futebol onde todos falavam todos ao mesmo tempo. Fiori sempre ouvia e quando lhe era dada a palavra, sua postura fazia com que todos os outros parassem de falar em respeito ao mestre.
Ouvindo Fiori a gente via o jogo, a gente corria junto com a bola e vibrávamos com “uma beleza de gol!”


Uma vez encontrei-me com ele em Águas de São Pedro, olhei-o com admiração, mas não tive coragem de me aproximar e incomodar ou desfazer uma cena tão bonita, que era ver Fiori passeando de mãos dadas com a esposa.


Fiori sai de campo com o aplauso de todas as torcidas, de todos os times! Sai de campo sem volta olímpica, mas como um campeão das transmissões radiofônicas. O rádio brasileiro está de luto e nossa seleção deveria sim fazer-lhe uma homenagem lá na Alemanha, antes que as cortinas se abram para a estréia do time canarinho.


Não tenho mais o que falar sobre Fiori Giglioti, a não ser usando suas próprias palavras, dizer que Fiori “vai ficar para todo o sempre, incrustado na ternura e sinceridade, do nosso Cantinho de Saudade”!
 

 

Ivan Jubert Guimarães

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