Ivan Jubert Guimarães
17/09/2017
 

 

 

Um homem farejador, um homem que sempre buscava a verdade desde sua juventude.


Começou a trabalhar como repórter investigativo, profissão típica de quem procura a verdade. ‘Ele inventou um jeito diferente de fazer reportagens. Suas perguntas eram diretas, até mesmo quando foi repórter esportivo.


Como repórter da revista Placar denunciou a podridão no futebol e a corrupção na Loteria Esportiva.
O auge de sua carreira foi na Rede Record de televisão, embora tivesse trabalhado, também, na Rede Globo onde fazia reportagens investigativas.


Na Record, seu programa chamava-se Cidade Alerta, nome sugestivo para um programa jornalístico policial.


Quando noticiava um crime acontecido na cidade, ele contava uma história da vítima e de seu algoz. Ficava fácil entender como o tempo de cada um era efêmero. O assassino era mostrado muitas vezes como uma pessoa má, simplesmente ruim.


Os amigos dizem que ele era um bom contador de histórias e que gostava muito de fazer piadas com eles.


A imagem que ele demonstrava na televisão era a de um homem simples, sem estrelismo, embora muitas vezes eu o tenha visto dando broncas no ar à sua equipe técnica quando esta errava em alguma coisa. Essas broncas, merecidas, eram porque ele tinha intimidade com a equipe.


Certa vez eu assistindo o programa de Rodrigo Faro, me surpreendi ao vê-lo no ar procurando uma noiva. Confesso que minha surpresa barrou numa decepção, achei que fosse uma brincadeira, tipo pegadinha, do Faro e dele. Mudei de canal.


Eu não sabia que ele tinha tido cinco casamentos e cinco filhos, mas que morava sozinho. Eu conheço muito bem esse tipo de solidão.


Alguns meses atrás, esse homem divulgou que estava com câncer, com a coragem de um repórter investigativo. Talvez na solidão tivesse sentido medo, mas não demonstrava isso nas entrevistas.
Causou espanto nos amigos quando resolveu interromper o tratamento quimioterápico para fazer tratamento alternativo. Era um homem de muita fé, que lia a Bíblia e confiava em sua cura.
Marcelo Rezende foi um grande jornalista, um homem que entregou sua vida nas mãos de Deus e Deus lhe disse: “Corta pra Mim!”.


 

Ivan Jubert Guimarães

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