Ivan Jubert Guimarães
11/10/2011
 

 

      Que tristeza meu Deus eu senti agora ao abrir a página do UOL e ver que José Vasconcellos morreu.

     Apesar de ter sido um dos maiores comediantes deste país, senão o maior, Vasconcellos foi um dos primeiros, senão o primeiro, stand up dos nossos palcos. Sempre se apresentava sozinho em shows que duravam quase duas horas.

     Ainda na semana passada, assisti a um programa em que ele esteve no Jô Soares e ri muito com seu desempenho.

     Além dos personagens que criou, todos hilários, José de Vasconcellos impressionava pela “limpeza” de suas piadas e anedotas. Digo limpeza, pois Vasconcelos nunca precisou usar de palavras de baixo calão para fazer rir.

     Foi protagonista de um dos maiores espetáculos de humor que o país já viu. “Eu Sou o Espetáculo” ficou em cartaz durante muito tempo em São Paulo lotando teatros nos anos 60. O show foi gravado e reproduzido em LP. Naquele tempo, não havia vídeo cassete e nem mesmo TV a cores. O vídeo tape estava nascendo. Quem viu, viu, quem ouviu, ouviu.

     Na televisão participou nos anos 70 de um humorístico muito famoso da rede Globo, chamado “Satiricon” que ficou bastante tempo no ar. Neste programa era difícil escolher o mais engraçado, pois além de Vasconcellos, havia outro gigante como Renato Corte Real, o próprio Jô Soares.

   Nos anos 60, Vasconcellos tinha tanta popularidade que criou um projeto fantástico chamado Vasconcelândia, que seria um parque nos moldes da Disneylândia. A área chegou a ser definida e houve até início de algumas obras, mas não houve patrocinadores à altura do empreendimento e o projeto não vingou. Isso abalou o Zé, porque era um de seus maiores sonhos.

     Mas o talento deste homem era tão grande que voltou à luta e foi para a Televisão. Infelizmente, nos últimos tempos era escalado nos programas de escolinhas.

     Com José de Vasconcellos morre a alegria de contar piadas e histórias hilárias como só ele sabia contar. Sem palavrões (mesmo no teatro), sem apelações de ordem sexual que tantos humoristas usam atualmente para fazer um povo rir, inclusive seu amigo Jô.

     Vasconcellos era antes de tudo um pesquisador dos costumes da época, criava histórias com base no que via no cotidiano.

     Suas piadas não ofendiam a ninguém!

     Meu adeus Senhor José de Vasconcellos. Deus deve estar morrendo de rir a essa altura.

 

 

Ivan Jubert Guimarães

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