Ivan Jubert Guimarães
10/03/1983
 


A bola saiu pela linha de fundo. Os cruzamentos, outrora perfeitos, que na seleção encontravam Vavá sempre de frente para o gol, ou Quarentinha no Botafogo, e até mesmo Flávio nos tempos de Corinthians, são hoje uma doce lembrança.
Aquele drible desconcertante que deixava seus marcadores estonteados e fazia rir uma multidão, parecia um passista de escola de samba, que faz que vai mas não vai, que faz que volta mas não volta, que faz que fica mas não fica.
O Mané que gostava de passarinho morreu.
Aquele Mané ingênuo que ao fim da Copa do Mundo da Suécia disse no vestiário: “Que campeonato mais mixuruca, já acabou?”. Esse Mané não mais existe. Esse Mané que no Chile redobrou sua genialidade e fez toda uma torcida esquecer que Pelé não podia mais jogar aquela copa. Ah Mané, se você tivesse na cabeça só um pouquinho do talento que tinha nas pernas, não acabaria enrolado num lençol encardido de um sanatório, nem tendo o corpo jogado numa gaveta do IML Você, logo você, que deu tantos lençóis lindos em sua carreira de jogador, ter que acabar desta maneira. Tivesse você os amigos que teve o Pelé, talvez tudo fosse diferente. tivesse você um pouco mais de força, teria conseguido driblar as garrafas com a mesma maestria que fazia com os laterais do mundo inteiro.
O que mais eu posso dizer Manuel Francisco dos Santos? Você que foi a Alegria do Povo, não conseguiu driblar a morte.


Adeus Garrincha.
 


Ivan Jubert Guimarães

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