Ivan Jubert Guimarães
04/12/2011



Eu me lembro quando o Dr. Sócrates chegou ao Corinthians e ganhou como parceiro o jogador Palhinha. Lembro-me de um jogo contra o Palmeiras em que o doutor recebeu a bola de Palhinha e, de calcanhar, deixou Palhinha na frente do gol. Lembro que Fiori Gigliotti ao narrar aquela beleza de gol disse que quem tinha Sócrates e Palhinha tinha muito mais.

Eu me lembro de outra partida do doutor e que quando o jogo terminou, foi entrevistado por um repórter de campo que lhe perguntou porque naquele jogo ele dera tantos carrinhos. O doutor respondeu que ele sentiu que não estava bem tecnicamente no jogo e teve que usar a raça para honrar a camisa que vestia.

Lembro de Sócrates, já na Seleção Brasileira, se não me engano em um jogo do Mundialito no Uruguai em 1981, quando as seleções perfiladas ouviam os hinos nacionais e na hora do Hino Nacional Brasileiro o que se ouviu foi o Hino à Bandeira e Sócrates, perfilado, fazia gestos com a cabeça e sorria como que dizendo: "Este não é o Hino de meu País".

Lembro da Democracia Corinthiana, liderada por ele e seguida pelo resto do time.

Lembro de Sócrates engajado na campanha das Diretas Já e, no Vale do Anhangabaú aceitar o microfone de Osmar Santos e dizer que se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada, ele jamais deixaria o Brasil. quase um milhão de presentes, eu inclusive, aplaudiram a fala emocionada do doutor.

Com tantos dribles e jogadas geniais, Sócrates não venceu a cirrose e morreu na madrugada de hoje quando o Corinthians disputa um título que o doutor nunca conseguiu ganhar. Quem sabe não seja hoje?

Vá com Deus doutor da bola, você já entrou há muito tempo para a grande galeria dos craques do nosso futebol, mas principalmente com seus pronunciamentos, sempre sinceros e corajosos. Adeus Sócrates Brasileiro Corinthiano.



Ivan Jubert Guimarães

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