Ivan Jubert Guimarães
30/04/2017

 

Há quem diga que ele era um filósofo, tal era a inteligência de suas letras e forma harmoniosa como as musicava.


Nas primeiras vezes que se ouvia, dava a impressão que era prosa musicada. Mas a beleza de suas composições a gente consegue ouvir várias vezes seguidas, sem enjoar.


Velha Roupa Colorida é história e rock, tudo junto misturado num ritmo alucinante. Ele canta, para, fala e volta a cantar, mas o ritmo frenético continua.


Em Apenas um Rapaz Latino-Americano ele canta a miséria financeira de um jovem latino-americano e usa palavras que talvez nunca tivessem sido lançadas em músicas antes. Seria uma parte de sua autobiografia? Alguém sem dinheiro no banco e sem parentes importantes, mas que trazia na cabeça uma música do rádio uma canção que dizia que tudo era divino e maravilhoso.


Ele foi lançado no mercado do sucesso por Elis Regina quando cantou Como Nossos Pais. Uma crítica aos nossos costumes herdados, mas que no final reconhecia que apesar de tudo ainda éramos iguais aos nossos pais.


Quem melhor do que ele cantou que tinha Medo de Avião, um medo que foi se acabando durante o voo, ao tocar a mão da mulher ao lado e reparar na aeromoça que ficava mais bonita e ele passou a entender aquele toque Beatles “I wanna hold your hand”.


Quem poderia fazer uma poesia musical olhando as marcas dos pneus no asfalto molhado como duas linhas paralelas?


Em Coração Selvagem ele diz que seu beijo é como um beijo de novela, andar caminho errado pela simples alegria de ser.


Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, não preciso que me digam de que lado bate o sol porque lá bate o meu coração.


Tudo outra vez, comovente história de vida de um rapaz solitário que lembrava com saudade dos tempos de estudante, mas que quer tudo de novo outra vez.


Em Divina Comédia Humana ele estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol e um analista amigo dele disse que ele não seria feliz desse jeito porque o amor é uma coisa mais profunda do que um transa sensual e deixando a profundidade de lado queria fazer tudo de novo e vivendo a paixão morando na filosofia.


Tudo era poesia nas músicas de Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes. Morou na filosofia?
 

Ivan Jubert Guimarães

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Midi: Apenas um rapaz latino americano - Belchior