Ivan Jubert Guimarães
12/06/2011

 

 

Todo bom artista sempre sabe a hora de abandonar o palco. E para muitos artistas a glória chega somente após a galeria estar fechada.

Conheci apenas um pouco de sua arte através de uma charge publicada em comemoração aos seus 25 anos de trabalho em um jornal local de sua cidade.

Artistas demoram a ser reconhecidos e, muitas vezes, não têm sequer o apoio da própria família. Por isso que os artistas são, em geral, pessoas tristes e solitárias. É na arte que o artista encontra a alegria de viver e a motivação para sua expressão tão oprimida.

O trabalho artístico necessita do reconhecimento público, pois é para o público que o artista entrega sua vida. Não se trata de vaidade pura e simplesmente, mas como o norte de sua caminhada. Os aplausos engrandecem o artista, o apoio familiar o enobrece.

Artistas são pessoas diferentes das demais. Suas preocupações estão voltadas para o belo e pelo desprezo do materialismo.

Falo de um artista que tinha o belo em seu próprio nome, José Bello da Silva Júnior, o Bellinho. Não tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente, mas éramos íntimos somente pelo que ouvi falar dele. Tínhamos algo em comum.

Certamente que milhares de leitores do Jornal Tribuna de Minas sentirão saudades de seu humor e de seu talento. Mas a vida é assim e nos prepara surpresas. O inesperado acontece quando menos se espera, mas devemos pensar que quando a morte chega sorrateira e quieta é porque quem ela veio buscar tem o merecimento de partir sem sofrimento.

E foi assim que Bello se foi, não sem antes despedir-se da irmã tão amada.

E lá no céu deve ter muita coisa engraçada para ele ilustrar com suas charges e ao lado de outros mestres que foram antes dele.

 

Ivan Jubert Guimarães

 

Direitos reservados ao autor

 

 

Musica: Naquela Mesa - Zélia Duncan