Ivan Jubert Guimarães
10/06/2013
 



A casa de Irene está vazia, pois ela se mudou. Imagino a tristeza do lugar, pois a todo o momento aquela casa sempre esteve cheia, como dizia a letra da música de Nico Fidenco:
 


A casa d'Irene si canta, si ride
c'è gente che viene, c'è gente che va.
 


E era assim mesmo, principalmente aos fins de semana barulhentos com o corre-corre dos bisnetos, o amor dos netos e dos filhos.

Eu me considero um desses filhos, pois Irene foi para mim a segunda mãe que eu tive. Ela acabou de partir e já eu sinto saudade. Mas eu tenho certeza de que ela está em boas mãos. Ela me contava seus sonhos com Jesus, que estendendo um de seus braços a chamava e lhe transmitia muita calma, aquele tipo de sonho em que a gente não tem nem vontade de acordar e continuar sonhando.

Tive a felicidade do conviver muito com ela e me lembro agora com muita saudade dos alegres tapinhas no rosto que ela me dava sempre que me via. Confesso que aquilo me incomodava um pouco, pois doía às vezes. Morei com ela por uns tempos e na época a casa de tia Irene ficava mais cheia todos os dias, pois ela nunca deixou de abrigar ninguém.

Eu não sei bem como dizer isso, mas três ou quatro dias antes de partir, ela me pediu ao telefone que eu fosse visitá-la para que ela se despedisse de mim, pois no dia seguinte iria voltar para a casa dela. Não foi exatamente no dia seguinte, mas ela voltou para casa mais de noventa anos após haver chegado por aqui.

Agora a casa ficará meio vazia, mas os filhos de Irene vão continuar lá. Cabe a nós deixar a casa alegre como se Irene ainda estivesse por lá. Vai ser fácil, porque eu tenho certeza de que ela sempre estará junto de nós, dentro no peito, em nossos corações.
 


Dá vontade de cantar a música de Caetano e dizer que


Eu quero ir minha gente
Eu não sou daqui
Eu não tenho nada
Quero ver Irene rir
Quero ver Irene dar sua risada



Tchau tia, até um dia!


Ivan Jubert Guimarães

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