Ivan Jubert Guimarães
 

 

 


Dinheiro para o Katrina pagou até troca de sexo
Congresso dos EUA aponta fraude em até 16% da verba às vítimas do furacão
Investigação parlamentar estima que o rombo chegue a US$ 1,4 bilhão; agência governamental admite o desvio de US$ 16,8 milhões.

ELES APRENDERAM CONOSCO OU FOI O CONTRÁRIO?



Como podem ver nas manchetes acima, tiradas da Folha de São Paulo de hoje, não é prerrogativa brasileira a ladroagem com o dinheiro público! Já estou começando a achar que dinheiro público é para esse tipo de coisa mesmo. Eu sou público, você é público; então essa dinheirama também é nossa! Também tenho direito sobre essa grana toda.
Pensar que estas coisas estão acontecendo no mundo inteiro, em quase todos os países, sejam eles de direita ou de esquerda, democráticos ou não, nos mostram o que já estamos cansados de saber: o problema é de fato o homem. Não são as catástrofes naturais e nem as que são provocadas pelo homem, como as guerras, as invasões a países famintos e sedentos, ou países cujas riquezas estão no subsolo. É o Todo que está ruindo, pois que ele é feito de partes e nós fazemos parte do todo.
Nada mais nos surpreende, seja lá o que for. Acostumamo-nos a ver tanta coisa, atos de terrorismo que matam centenas ou milhares de pessoas diariamente em todo o mundo, que já achamos isso uma coisa normal. Conhecendo a espécie humana, realmente isso tudo é normal!


Como esperar mudanças se estamos sempre deixando para os outros a promoverem? E, como sempre, escolhemos mal. Na verdade nem se trata mais de uma escolha. Qualquer um que seja colocado no poder vai agir do mesmo modo, senão não vai agüentar ficar no poder. Adianta ajoelharmos com o rosto para Meca ou para a igreja da Candelária e pedirmos mudanças já?
As manchetes acima, tão comuns nas páginas de nossos noticiários locais, nos mostram bem isso. Um país do chamado Primeiro Mundo também tem seus corruptos, seus ladrões, dentro e fora do Congresso. E o pior é que sempre soubemos disso. Aviões, trens e navios continuarão a ser explodidos por esse mundo afora e vamos continuar acostumados com essa situação, até o dia em que ela nos atingir diretamente e passarmos de passivos a vítimas.


Vai adiantar jogar bombas no Afeganistão ou no Paquistão para acabar com o terrorismo? E no Iraque? No Irã? Na Coréia? Percebem que o problema não está aí? Peguem seus livros de história e vejam os grandes conquistadores que este mundo já teve. César, Alexandre, Carlos Magno, Genghis Khan, Hitler, e de quem mais você se lembrar. O que eles conseguiram? O que seus povos evoluíram com suas conquistas, se é que evoluíram. Seus impérios ainda existem nos dias de hoje? Falta um monte de nomes naquela pequena lista, mas juntem quantos nomes quiserem e a resposta será a mesma.


Peguem líderes atuais e do passado e comparem: o homem sempre foi assim, sempre brigou pelo poder de ser o maioral. Em qualquer país do oriente ou do ocidente, a história sempre foi a mesma. Alguns países tentaram mudar alguma coisa pelas revoluções e eu diria até que conseguiram, mudaram sistemas, mudaram regimes, tiraram os déspotas, mas não mudaram o homem. Você muda um povo inteiro com uma ordem de um governo tirano, impondo o medo e espalhando o terror, mas não consegue mudar ninguém com uma simples idéia.
Enquanto isso os filhos estão matando os pais pelo mundo e estão ficando soltos por aí. É por isso que netos matam os avós e continuam por aí. Dentro das famílias, o que se vê é um sai da frente que estou ocupado que aflige a todos os membros. Não se fazem mais refeições juntos, não se conversa mais à mesa quando se sentam juntos, cada um com sua leitura, ou com olhos atentos na televisão aprendendo novos modos e modas que as novelas impõem.


Se a família está distante dentro de uma mesma casa, o que dizer dos amigos? Sabe o que é amigo? Você tem algum? Tem mesmo? Se você respondeu que sim, você até que é feliz! É sim. Mas lembre-se: “só existe uma coisa pior do que não ter amigos, é achar que tem!”
Você conhece o seu vizinho? Sabe o nome dele? O que sabe da vida dele além do carro bonito que ele tem na garagem ou dos requebros de sua mulher?


E as pessoas de seu bairro, de sua cidade, quantas você conhece? Mas se você tiver a chance vai querer mudar o mundo, e aí você vai ficar igualzinho a um desses conquistadores que já passaram pela história. Vai ter o poder, mas não fará mais nada.
Você não conquistou nem sua família, por mais obedecido que você seja dentro de sua casa.


Você quer mudar o mundo, esse estado atual em que as coisas chegaram? Você quer mesmo que o mundo seja um lugar mais aprazível para se viver, você quer ter mais tempo para ver um dia nascer, o sol se levantar, a lua aparecer no final da tarde, poder ver estrelas à noite, sentir o perfume de flores nos jardins das casas de seu bairro ou no campo? Você quer viver em um mundo solidário, onde as pessoas se ajudam sem nenhum interesse que não o de ser altruísta? Isso você pode fazer! Parece difícil, parece utópico, mas não é. Basta mudar a você mesmo! Quando você mudar e puder dizer para si mesmo que você é bom, outros irão querer ser iguais a você. E aí você estará sendo exemplo para seus filhos e os amigos dele também irão querer ser iguais e os amigos dos amigos deles também. É assim que se muda o mundo, mudando a nós mesmos. Claro que não é tão fácil assim e. ainda por cima, vai exigir certos sacrifícios, como deixar de lado o consumismo, cuidar melhor do que você come e do que você bebe, perder a inveja do carro do vizinho ou do cunhado. Você consegue isso não consegue? Está esperando o quê para começar?
 


Ivan Jubert Guimarães


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