Ivan Jubert Guimarães
15/02/2011

 

 

Ela já deixa saudades no mundo da bola. Uma despedida onde o silêncio era total, nenhum dos jornalistas interrompeu e, durante 45 minutos, meio tempo de um jogo de futebol, Ronaldo pode falar tudo o que seu coração queria dizer.

Foi emocionante vê-lo, ouvi-lo e chorar com ele. Tenho certeza de que torcedores de todos os clubes ficaram tristes com essa despedida não só de um jogador de futebol, mas de um homem fenomenal.

Sofreu calado as críticas quanto ao seu peso e ontem revelou que tem hipotireoidismo. Nos momentos em que o time não vinha bem, fazia questão de entrar em primeiro lugar no campo de jogo para receber as primeiras vaias.

Ele já havia falado antes de suas dores, mas nunca disse que sentia dores até para subir escadas.

A força do caráter deste homem fenomenal ao dizer que perdeu para seu próprio corpo, uma vez que a cabeça idealizava uma jogada, mas o corpo não obedecia. Nunca, em tempo algum, ouvi tanta sinceridade nas palavras de um jogador de futebol.

A grandeza de se desculpar publicamente pelo fracasso do projeto Libertadores é uma coisa que somente os grandes homens são capazes de fazer.

Jornais do mundo inteiro noticiaram esta despedida. O mundo se entristece. Eu que o vi jogar, como vi outros grandes jogadores do passado me entristeço também. Vi Pelé, vi Garrincha e vi Rivelino e Ronaldo se junta aos maiores que já vi jogar. Coincidência ou não, três destes quatro jogaram no Corinthians.

Um jogador que encantou o mundo, que foi bicampeão mundial de futebol e três vezes considerado o melhor do mundo, disse que teve dois momentos marcantes na vida. Um deles na final da copa do mundo de 2002 quando marcou os dois gols que deram ao Brasil o pentacampeonato, e, o outro, quando se juntou ao bando de loucos que é a torcida corinthiana.

Admitiu seus erros, mas não se arrepende de nada, pois sempre fez o que achava melhor para ele. Deu a vida para o futebol, encantou plateias do mundo inteiro e nunca se colocou no pedestal que sempre acaba derrubando os vaidosos.

Ele não é um fenômeno apenas com a bola nos pés, ele é um fenômeno como homem, como ser humano.

Foi uma honra tê-lo jogando no meu time Ronaldo!


 

 

Ivan Jubert Guimarães

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Música: Hino Brasileiro - Jimbrazilian