Ivan Jubert Guimarães

21/01/2016
 

 

 Hoje parei um taxi e assim que o motorista parou entrei no carro.
- Bom dia!
- Bom dia! Para onde o senhor vai?
- Vila Clementino.
- Tem um caminho de preferência?
- Não, o senhor pode ir tanto pela Rua Vergueiro como pela Avenida 23 de Maio, os dois caminhos são ruins.
- Tudo bem.


Andamos um pouco e puxei conversa com o motorista:
- O que o senhor acha desses taxis que usam o aplicativo Uber?
- Não acho nada.
- Nada? Eles não atrapalham seu serviço?
- Não.
- Me desculpe, eu perguntei porque a situação está tão difícil na economia, que achei que é mais uma forma de concorrência para os taxis.
- Pra mim está tudo bem.
- E estas ciclovias que o prefeito está espalhando pela cidade?
- Tá bom.
- A coisa está difícil, muita gente sem emprego, o sistema de saúde está falido e a violência urbana está cada dia pior.
- Eu não fui afetado ainda por nada disso.
- Mudando de assunto, o senhor está vendo aquele templo da Igreja Universal do outro lado da avenida? Sabia que lá tem um drive thru e o sujeito nem precisa entrar na igreja? Para o carro diante de um caixa eletrônico e deposita dinheiro para o Bispo.
- O bispo tá certo.
- O senhor é da Universal?
- Não.
- E aí, a seleção vai conseguir se classificar para a Copa?
- Não ligo para futebol.
- Acho que estou incomodando o senhor com esses assuntos, daria para ligar o rádio?
-Pois não.


O rádio foi ligado e de repente uma notícia: “A Prefeitura de São Paulo alterou as regras de vestuário, comportamento e higiene que haviam sido divulgadas para os taxistas na segunda-feira (18). De acordo com o texto inicial, a sugestão de boa conduta também evita polêmicas ou situações que provoquem estresse no passageiro por causa de "paixões esportivas, convicções partidárias, fé, cultos religiosos, opções de comportamento pessoal e não tratar de problemas particulares, nem da categoria."

- Haddad filho da puta!

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

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