Ivan Jubert Guimarães

16/09/2018

 

Já há algum tempo adquiri o hábito de escrever meus sonhos ao acordar. Não é uma atividade usual, pois só escrevo os sonhos que me marcaram muito.

Há sonhos e sonhos, os psicanalíticos, os premonitivos e os sonhos elucidativos. Não cabe aqui discorrer sobre nenhum deles, mas que eles são reveladores, isso são.

Como disse antes, eu tenho o hábito de ao me lembrar de um sonho marcante, ir fazendo anotações sobre ele. Muitas vezes faço isso durante o dia inteiro.

Tive um sonho bem recentemente e sonhei que eu era como sou agora, mesma idade, mesma barba, mas não estava doente e nem com dificuldade para andar.

No sonho eu caminhava por uma linda alameda ornada por árvores muito bonitas e verdejantes. O céu era de um azul maravilhoso com nuvens bem branquinhas num contraste de rara beleza. Os raios de sol que passavam pelas copas das árvores tingiam o chão de um amarelo dourado e, por um momento me pareceu estar olhando para a bandeira de meu país.

Eu me sentia muito bem, alma leve e um sentimento de gratidão muito forte.

Nesse sonho eu percebi que iria desencarnar em poucos instantes e, de repente, comecei a andar mais depressa em direção à morte e cheguei até a correr um pouco.

Não sentia medo, mas uma vontade imensa de voltar para minha casa, minha verdadeira casa.

Quando acordei na manhã seguinte, senti-me gratificado e em paz. Tinha vontade de contar meu sonho para as pessoas, mas me segurei, porque sei o que a maior parte delas pensa sobre a morte. Fiquei calado quase o dia inteiro esperando que a qualquer momento o trem da vida me buscasse para minha viagem. Morte é vida!
 

 

Ivan Jubert Guimarães

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