Em 1970 eu tinha 22 anos de idade e éramos 90 milhões em ação como dizia o hino composto por Miguel Gustavo para a Copa do Mundo daquele ano.

Poderia ir mais longe, já que me lembro das copas de 1958 e 1962, tempos em que minha mãe me mandava comprar qualquer coisa no armazém e me pedia pra trazer tantos “cruzeiros” de troco. Já vai longe o tempo em que se sabia os preços das coisas.

Mas voltando a 1970 quando éramos apenas 90 milhões de habitantes, eu me pergunto o que nós fizemos ao país desde então, a não ser aumentarmos para mais de 200 milhões o número de habitantes. Levamos 470 anos para chegarmos aos 90 milhões e, em apenas 40 anos, mais do que dobramos a população.

Quando éramos 90 milhões a gente conseguia andar em segurança pelas ruas da cidade e, mesmo sob o efeito da política de um governo autoritário, andava a pé pelas madrugadas e não tinha medo de bandidos ou assaltantes.

Nas duas décadas anteriores o Brasil era campeão mundial de futebol com times formados por homens de caráter, éramos campeões mundiais de basquete, de boxe e de tênis e talvez de mais algum ou outro tipo de esporte.

Realizávamos festivais de música popular brasileira aos quais a população se mobilizava e torcia pela música favorita.

Em 1970, ganhamos pela terceira vez uma copa do mundo e, a partir daí começamos a achar que éramos os melhores do mundo em qualquer situação. E eu acho que foi aí, no tempo do “Brasil, ame-o ou deixe-o” que preferimos ficar e deixar que os outros governassem por nós, já que paramos de fazer política. Não votávamos e a responsabilidade pelos eleitos não era nossa e como era proibido reclamar, não reclamávamos e fomos nos acostumando com essa inércia e aceitando tudo o que os políticos sempre nos falavam.

Embora os militares não tivessem roubado nosso dinheiro e coisas boas tivessem acontecido na época, como a criação do Cadastro Geral de Contribuintes para as empresas, a criação da Caderneta de Poupança, e outras benfeitorias, o regime era duro e pesado. Nosso maior problema continuou sendo a classe política composta por civis, que mesmo sob o risco de uma cassação de direitos políticos, usavam e abusavam das falcatruas e com fórmulas mágicas enganavam os homens das casernas. Não podíamos falar e o único grito que saía de nossa garganta era o frito de gol.

Assim como nós nos idos dos anos 70, os militares de hoje também se calaram e já não ousam por fim aos desmandos da presidência de república que, pela Constituição, é a quem devem obedecer.

Os crimes políticos se sucedem neste país que apesar de estar na merda aos olhos do mundo, ainda se sente o maioral. A presidente mente descaradamente e faz promessas que nunca teve intenção de cumprir. Assina papéis sem os ler de antemão e, como seu antecessor, alega não saber das coisas que acontecem sob suas saias.

Conseguiram transformar uma das maiores empresas brasileiras em um elefante branco e estão jogando-a nos buracos que fazem no mar. As propagandas dizem o contrário, que teremos em poucos anos mais do que o dobro de plataformas petrolíferas, só se for para pescadores se se sentarem em pescarias em alto mar.

É ano de copa do mundo e gastou-se verdadeira fortuna com a construção de estádios, agora chamados de arenas. Traficantes dizem que irão respeitar os gringos. Das obras de infraestrutura, muitas nem saíram do papel. Os donos das empreiteiras são corruptores, mas não são bobos.

 


Ivan Jubert Guimarães
25/03/2014
 

 

 

 

 Eu entrei para a escola quando tinha sete anos de idade. Fiz todo o curso primário em uma escola pública da prefeitura. Era um galpão de madeira, pintado de azul. Tive quatro professoras durante o período escolar: Dna Anita, que me deu aulas no primeiro semestre, Dna Ruth que me deu aulas no segundo semestre do primeiro ano, no segundo e depois no quarto ano primário. No terceiro ano teve Dna Áurea. Já se foram mais de 50 anos e ainda me lembro dos nomes delas. Como vêem, não se chamava nenhuma professora de “tia”. E não é porque a gente não gostava delas não, muito pelo contrário, todas elas eram educadoras e uma das coisas mais importantes que nos ensinaram, além de ler e escrever, foi o respeito.

Hoje as pessoas dizem que os alunos devem ir para a escola já educados, que compete à professora apenas o ensino das matérias. É uma desculpa, não só dos professores atuais, mas também dos pais que hoje necessitam trabalhar e não têm tempo para educar seus filhos. A mente coletiva tratou de incutir nas mentes dos pais e dos mestres e o resultado é que ninguém mais educa ninguém.

Ninguém tem culpa disso, é que apenas virou uma nova maneira de agir e de pensar, sinal dos tempos.

O resultado é que hoje nós vemos jovens que não sabem nada da vida e que vivem a expensas dos pais. Frequentam boas escolas, mas nada sabem sobre a vida, sobre a história, sobre geografia e a língua que falam você não consegue entender. Vivem com seus brinquedinhos à mão, falando com alguém, passando mensagens sem nexo e jogando joguinhos para passar o tempo que eles têm de sobra.

Outros jovens, menos afortunados, também possuem esses brinquedinhos e fazem qualquer coisa por um novo par de tênis.

É claro que não me refiro a todos os jovens, tem gente que ainda tem o terrível hábito de estudar e levam a vida a sério.

Mas os outros dois tipos possuem algo em comum que é a fragilidade moral e a facilidade para entrar no mundo das drogas.

Às vezes eles se misturam em meio a um movimento popular e fazem arruaças pelas ruas, quebrando e destruindo o que vêem pela frente. E fazem essas coisas à frente de alguém que carrega uma faixa pedindo que o governo olhe mais para a educação.

Uma das coisas que mais me chama atenção, é que quem reclama mais da educação são os professores que querem maiores salários. Alunos, na maioria, não estão nem aí. Para muitos a escola é como a prestação do serviço militar.

Certa vez conversando com um ex-reitor da USP, ele me perguntou se eu sabia por que a USP era a melhor escola do país. Diante de minha recusa, ele me disse que a USO era a melhor escola do Brasil porque era de graça. Sendo de graça, todos queriam entrar lá e tiveram que criar o vestibular e aí só os melhores alunos conseguiam entrar. Estes passaram a exigir melhores professores.

É disso que o país precisa, de melhores professores. Melhores professores formarão melhores alunos. O salário vai ser consequência.

Sei que parece utopia, pelo menos para os professores que se dedicam ao ensino nos dias atuais, numa verdadeira batalha contra alunos despreparados e violentos.

Todos os últimos governos que tivemos não se preocuparam com a educação. Quando são mal intencionados, como este que nos governa agora, o que menos desejam é um povo educado, com sabedoria, pois preferem um povo alienado. Alguns políticos até justificam que investir em educação não traz retorno. E copiando uma frase que ouvi do Professor Mário Sérgio Cortella, vale dizer que “se investir na educação não dá retorno, que se invista na ignorância”.

O problema é que os ignorantes do governo não sabem que são ignorantes, de tão ignorantes que são.
 


Ivan Jubert Guimarães
27/03/2014

 

 

 

Diz a lenda que o General Charles de Gaulle disse que o Brasil não era um país sério. Como grande estadista o general de Gaulle jamais diria isso. E não disse. Trata-se de mais um daqueles mitos que ficam gravados na história e acabam virando verdade.
De fato, falta seriedade ao Brasil e isso não é de agora.


Em francês a expressão “petite vache” significa uma vaca pequena. No Brasil vaca pequena significaria vaquinha. Entretanto no linguajar brasileiro, vaquinha tornou-se desde os primórdios uma maneira pela qual um grupo de pessoas se reunia para angariar fundos para adquirir alguma coisa. Em minha adolescência eu e minha turma fazíamos vaquinha para comprarmos uniformes para nosso time de futebol.

 

Essa prática ainda funciona no país. É comum comprar presente de aniversário para um colega fazendo uma vaquinha no escritório onde ele trabalha.
Mas tudo muda e a vaquinha foi para o brejo. Literalmente.


Hoje, vaquinha serve para angariar dinheiro para tirar bandidos da cadeia, pagar suas multas e também livrar da prisão aqueles homens que deixaram de pagar pensão alimentícia para seus filhos.
Atualmente uma vaquinha vale mais do que o bezerro de ouro que os judeus construíram enquanto Moisés estava no Monte Sinai.


O que está acontecendo? Se falta dinheiro para melhorar a saúde e a educação do povo brasileiro, por que a classe política também não faz uma vaquinha para a compra de carteiras escolares, reforma de telhados e janelas das escolas? Por que os políticos não fazem uma vaquinha para aumentar o número de leitos dos hospitais públicos, comprar lençóis novos para que pacientes recém-internados não sejam obrigados a deitar em camas mijadas?


Claro que haverá muitos riscos com essa prática, já que os políticos não podem ver dinheiro e alguém sempre vai meter a mão.
E com o PT no governo é bem capaz de roubarem a vaca.
 


Ivan Jubert Guimarães
29/03/2014

 

 

 

 

 

A Constituição do Brasil parece ser um livro de fábulas que procura mostrar o que seria um país bom para se viver. São histórias um pouco longas, e a gente se perde na leitura confusa em algumas partes.


O começo até que é interessante quando diz que o objetivo da constituição é construir uma sociedade livre, justa e solidária. Promete garantir o desenvolvimento nacional e erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. (sic) Promete ainda promover o bem estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.


Diz que todos são iguais perante a lei, mas eu acho que deveriam mudar o texto para todos os políticos são iguais perante a lei. Digo isso porque o que se vê na prática é bem diferente, A polícia até que prende bandidos diariamente que logo são soltos pela justiça.
Nossa carta magna diz que é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato. No entanto diversos jornalistas já foram amordaçados por suas emissoras justamente por manifestarem a liberdade do pensamento. O último caso foi o de Rachel Sheherazade afastada a pedido do Planalto. Quando o pedido foi do sindicato dos jornalistas, Sílvio Santos disse que ela não sairia porque falava o que o povo quer ouvir e, até de maneira jocosa, sugeriu que fossem ouvir Fátima Bernardes que fala o que eles querem ouvir.


Mas o SBT teve que ceder sob a ameaça de não receber mais anúncios do governo petista, o maior anunciante da televisão brasileira.
Ser dono de uma emissora de televisão ou de rádio é um dos maiores negócios aqui no Brasil, porque é de graça, trata-se de uma concessão do governo. E é por isso que não vemos a verdade do que acontece no país nas televisões. Claro que há algumas reportagens até interessantes, algumas reportagens investigativas, mas é que chega uma hora em que não dá mais para esconder.


Nos tempos do regime militar, havia coronéis nas redações dos jornais para ver o que poderia ou não ser publicado. Hoje, num regime democrático, segundo a constituição, todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes ou diretamente, nos termos da constituição. Só que isso não acontece nas televisões, onde a censura interna é mais rígida. O governo controla o que você deve assistir e ouvir.


O engraçado é que quando um presidente toma posse ele faz um juramento colocando sua mão sobre a Constituição, que ele nunca leu, e jura cumprir seus fundamentos.
Não acho que esse tipo de juramento valha alguma coisa, já que nenhum político respeita as leis. Um juramento sobre a Bíblia também seria inócuo, pois nem todos são religiosos, apesar nas notas de nosso dinheiro haja uma louvação a Deus. E como os políticos louvam a Deus e se enchem dessas notas!


Melhor seria fazer uma placa de aço inox, fixa-la sobre um pequeno púlpito e inscrever nela apenas os Dez Mandamentos e todos os políticos jurariam sobre esta placa obedecer as dez leis de Deus. Já pensou se todos nós seguíssemos os dez mandamentos, como o mundo seria diferente? Está tudo lá, em apenas dez leis. Mas, com certeza haveria discussões para tirar das leis aquela parte que fala do adultério.


Ivan Jubert Guimarães
06/04/2014

 

 

 

 

 

 

 Quando Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta para o Rei de Portugal, disse que “a terra é rica e generosa e em se plantando, tudo dá”.

A frase não foi propriamente esta, já que a carta foi escrita em uma linguagem arcaica, mas o que importa é a informação.

Presume-se que Caminha escreveu-a ainda de onde a frota havia desembarcado, onde hoje é a Bahia.

Em se plantando tudo dá? O que foi feito das matas e das plantações?

O Nordeste sofre escassez de agronegócio, onde havia muitas árvores e plantações, com o tempo foram cavando buracos em busca de ouro e de prata. Mais tarde ainda, lugares de mata virgem transformaram-se em grandes pastos para a criação de animais. E hoje existem mais bois do que gente neste país.

O Brasil de então virou um grande armazém ou feira livre que abasteciam navios ingleses, franceses, holandeses e claro, portugueses. E o “em se plantando tudo dá, transformou-se em se colhendo tudo se leva”.

Mas ainda estamos entre os maiores produtores de alimentos do mundo, mas também temos um dos povos mais famintos do mundo. A fome daqui pode ser diferente da fome de países africanos, mas mandioca e fubá enchem barriga, mas não alimentam. Mas por que isto ocorre se a terra dava de tudo desde que se plantasse? Talvez a resposta esteja no fato de que o litoral nordestino foi sendo devastado pelos colonizadores, até darem de cara com o sertão, região inóspita.

Hoje se canta música sertaneja que não sei por que leva esse nome, já que no sertão, passa-se fome e miséria e a maior parte da população não vive por lá. Mas isso é outra história.

Nas primeiras décadas do século passado, descobriu-se petróleo na Bahia e depois de muitas discussões fundou-se a Petrobrás e Getúlio Vargas afirmou que o petróleo era nosso, frase que nem foi dele originariamente.

Tínhamos petróleo, mas não cavávamos os poços e Monteiro Lobato foi um ferrenho opositor de Vargas quanto a isso.

Fomos durante muitos anos um grande importador de petróleo e quando houve a crise desse ouro negro, sofremos muito com isso. E aí, começamos a perfurar poços e fomos encontrando óleo e o país chegou a ser considerado autossuficiente na produção petrolífera. Lula disse isso. Dilma confirmou. E fomos além com essa história do pré-sal. Abundância de petróleo!

O que o governo não explica de maneira convincente, aliás, já há muitos anos, é porque o país vende gasolina e petróleo bruto para outros países a preços mais baixos do que o preço internacional. Compramos e pagamos mais caro e vendemos mais barato. Fosse em uma empresa, seria mais um caso de estelionato.

E não deixa de ser estelionato, coisa que mais este governo sabe fazer. E não é só com o petróleo que isso acontece. Temos ricas jazidas de quartzo e não sabemos como aproveitá-lo. Então exportamos o quartzo bruto e compramos produtos manufaturados que usam o quartzo.

Será que é só isso? Claro que não! Somos uma terra de abundância, mas temos uma escassez de vergonha e de dignidade. Muita gente, assim como eu, tem criticado a realização da Copa do Mundo e os gastos que estão sendo feitos com a construção dos estádios. Dada a pressa, tomara que nenhum deles caia durante a realização de algum jogo. Aeroportos perigosos até para o 14 BIS de Santos Dumont, estradas mal conservadas, deficiência na segurança pública e tantas coisas mais. A delegação inglesa, por exemplo, trará seus próprios seguranças. Onde fica a soberania do país com isso tudo?

O rei do futebol acha que a morte de um operário na construção de um estádio é coisa normal. Romário tinha razão. Pelé foi um grande jogador, mas quando abre a boca, dela só sai merda.

Desde quando eu era um jovem, sempre cedi meu lugar para senhoras e idosos quando andava de ônibus. E faço isso até hoje que sou um idoso. Cedo meu lugar mesmo que seja para mulheres bem mais jovens que eu. Por respeito, por educação.

Mas, hoje, andar de ônibus ou de trem virou um festival de pornografia com abusos sexuais dentro do transporte público. E como ficamos acostumados a permanecer em silêncio diante da política, olhamos e não fazemos nada. Em quê nos transformamos?
 

 


Ivan Jubert Guimarães
11/04/2014

 

 

 

 



Talvez seja cedo para escrever a parte final desta série, pois são tantos os problemas e a falta de vergonha na cara de nossos governantes que a situação parece uma rosca sem fim. Por mais que tentemos apertar a coisa, ela continua girando.

Eu confesso que estou cansado e me sinto derrotado a cada vez que toco no assunto Brasil, um país tão lindo e tão cheio de belezas naturais, mas com um povo acomodado e iludido que acredita viver no melhor dos mundos.

A corrupção está em todos os níveis da população, quase todos querem levar vantagem em alguma coisa, seja furtar uma fila, sair sem pagar um doce na padaria, e isso sem falar na corrupção existente nas repartições públicas, nas empresas corruptoras, nas promoções fictícias das redes de lojas e de supermercados onde sempre se procura enganar o povo.

É desnecessário até falar dos governantes e dos políticos que, como porcos, chafurdam na lama formada pelos esgotos que saem de suas bocas. Mentirosos sem nenhum caráter, omissos que nada fazem nem para tapar o sol com a peneira. O resultado disso, vemos todos os dias pelas tevês e pelos jornais. Uma polícia que se deixa corromper por míseros dez reais nas estradas do país e fazem vistas grossas para veículos sem condições de fazer uma viagem.

Movimentos que a sociedade hipócrita decidiu apoiar apenas para parecer politicamente correta e que aceita manifestações de “sem-teto”, de “sem-terra”, mas que não faz manifestação alguma para os “sem-emprego”, por melhores condições de trabalho, assistência social, ensino de qualidade. Quando professores saem às ruas para reivindicar melhores salários, os pais se queixam que seus filhinhos estão sem aula e não podem ficar em casa sozinhos.

E se for para falar em saúde pública, a coisa fica muito pior. Não há um hospital público em que os pacientes tenham que esperar horas, dias, semanas, meses, por uma única consulta. Pessoas morrem no chão dos corredores de hospitais sem nenhum atendimento. Mas não é só na rede pública que isso acontece. Também nos hospitais conveniados com empresas de planos de saúde a coisa está feia. Para marcar uma consulta, muitas vezes a demora é de semanas e dependendo do exame a espera e de meses.

O que está errado de fato? Os políticos são aqueles que nós mesmos elegemos por acreditar em suas vãs promessas. Nossa presidente praticamente já culpou a Deus pelos problemas de abastecimento de água em algumas regiões e pela falta de água em outras.

A violência está nos aprisionando dentro de nossas próprias casas e mesmo dentro delas não temos mais segurança. Antigamente eu andava pelas ruas nas madrugadas e não sentia medo. De vez em quando acontecia um crime aqui ou ali, e muitas vezes por motivos passionais. Hoje não. Não existe mais horário para a violência, parece até que os bandidos não usam relógios apesar de roubá-los com muita frequência.

Os bancos apresentam lucros trimestrais monumentais, ganham muito para que lá guardemos o nosso salário e nos cobram alto para fazer isso. Às vezes você recebe um extrato e lá consta uma pequena taxa de alguns centavos que por ser tão pouco você nem presta muita atenção. Mas dois centavos multiplicados por milhares de correntistas geram uma pequena fortuna de lucro para os banqueiros.

O que estamos deixando fazer com a gente? O que acontecerá com este país após a realização da Copa do Mundo? Elefantes brancos, construídos em lugares onde o futebol não representa quase nada. Mesmo nos grandes centros, os estádios não lotam mais, nem nas finais de campeonatos. Mas parece que os dirigentes não se importam muito com isso e continuam investindo dinheiro em contratações, dinheiro que os clubes não possuem, mas serve para que empresários se utilizem disso para a lavagem de dinheiro.

Os programas esportivos nem abordam este assunto, o que interessa para eles é falar de futebol, de bananas e defender suas paixões clubistas.

Você liga a televisão para assistir aos noticiários matinais e o que vê? Crimes, acidentes, sequestros, corpos achados. À tarde você vê tudo de novo e quando chega à noite você vê de novo e ainda ganha um bônus com os crimes ocorridos no dia.

Há momentos em que eu penso que Satã é que dirige a programação das televisões. Estamos aprendendo a matar, a violar mocinhas, esquartejar corpos e toda sorte de crimes hediondos. Explodir caixas bancários, qualquer um já sabe. Para alguns falta coragem, mas não vontade.

O ex-presidente Collor agora inocentado pelo STF quer o ressarcimento de tudo o que lhe foi tomado quando de seu afastamento do governo. Pode isso? Tomara que lhe devolvam também a mulher.

A polícia prende e a justiça põe na rua. Leis arcaicas que consideram todos os criminosos como se ele fosse Dimas, o bom ladrão. Rua com ele. Ele sai e continua roubando, matando crianças, mulheres de idade. Ou acabamos com isso ou vamos ficar parecidos com eles. Sou cristão e sigo a lei maior de Deus que diz “não matarás”. Levo tão a sério isso que não mato nem baratas, por mais que elas me assustem. Mas bandidos e políticos desonestos não farão falta ao mundo. Ou farão? Não é necessário pena de morte, basta trancafiá-los em lugares seguros. Mas já senti vontade de matar alguns canalhas. Talvez você conheça algum político amigo seu. Que favores ele prestou a você? Você certamente fez algum favor a ele.

Já fez sua declaração de renda este ano? Declarou tudo? Jura?

A vida segue seu rumo e a experiência mostra que acabamos nos tornando exatamente iguais a quem mais execramos.
 



Ivan Jubert Guimarães
29/04/2014
 

 

 

 

Midi: Hino Nacional Brasileiro - instrumental