Ivan Jubert Guimarães

27.06.2006
 

 

 

 

Li no Caderno 2 do Estado de São Paulo de hoje, uma matéria que me deixou alegre, cujo título “Garrafas salvam poesia do naufrágio” despertou minha atenção. De início pensei tratar-se de um poeta qualquer que buscasse sua fonte de inspiração sorvendo o conteúdo das garrafas. Mas estava enganado, era muito mais poético do que isso.

Thor Rio Apa escreve seus poemas e depois que os engarrafa atira-os ao mar para que sejam encontrados por turistas e moradores das praias. E esse poeta já conseguiu provar coisas que eu, pelo menos, desconhecia. Recebe 10% de retorno pelas poesias que atira ao mar, através de cartas das pessoas que recolheram, em algum lugar, os versos que ele criou. Ele também entalha poemas em pedras à beira-mar. Seu veleiro também tem nome de poesia: Sonho, e sua tripulação atual, é formada por outros poetas, incluindo um filho seu.

É uma história maravilhosa a desse homem e seu grupo e ele tem muita razão quando diz que nunca se escreveu tanta poesia quanto hoje, mas, que ao mesmo tempo, ninguém lê um livro de poesias e daí nasceu sua idéia de fazer o que faz. Que belo gesto. Deve ser de fato um momento único na vida de uma pessoa, encontrar uma garrafa com uma poesia lá dentro.

Ele já lançou mais de três mil garrafas ao mar e, pelas cartas que já recebeu, pelo menos trezentas delas foram encontradas. Eles editam e publicam livretos com os poemas escritos por ele e sua tripulação e já venderam 150 mil exemplares. Não ganham muito, mas fazem o que gostam e do que o mundo precisa: poesia, e pelos pequenos trechos publicados no jornal, poesia da boa.

Ao contrário dele, um navegante por natureza, eu também distribuo minhas poesias só que para os navegantes, não os dos mares, mas aqueles que navegam pela internet.

Mas acho que nunca coisa somos iguais: na crença de que o poeta não é dono da poesia, dono é quem a recebe.
 


Parabéns a esse poeta Thor Rio Apa e a sua tripulação!

 

 

 

Ivan Jubert Guimarães

 

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