Ivan Jubert Guimarães
05/08/2014

 

 

Meus filhos nasceram na Maternidade São Paulo que era uma das melhores da cidade. Possuía história, era um hospital escola não só em obstetrícia para médicos, mas atendia também profissionais de outras áreas. Era um lugar maravilhoso, um pátio enorme e um magnífico jardim.
Sua arquitetura era imponente sem ter nada de luxuoso como tantas maternidades que existem por aí e que estão na moda. Chega a parecer que as jovens mamães estão indo buscar seus filhos em um shopping.


A cidade mudou muito desde os nascimentos de meus filhos, hoje já adultos. Tínhamos segurança para andar nas ruas e era muito prazeroso caminhar empurrando um carrinho de bebê nas calçadas e praças da cidade.


Hoje está tudo mudado, não há mais contato humano pelas ruas, pois tudo o que se vê são pessoas caminhando, lanchando telefonando ou brincando com seus celulares e nem olham mais para os lados para ver os rostos das pessoas. Todos são estranhos entre si, até mesmo os amigos que andam juntos, cada um com seu brinquedo.


A violência tomou conta de São Paulo e hoje se mata pessoas de todas as idades, nas ruas, ou invadindo as residências, pelo simples prazer de matar.


Todo mundo mata, motoristas embriagados matam, bandidos matam, polícia mata, governo mata ou manda matar. Está difícil viver e tornou-se fácil morrer.


No entanto, o que mais me preocupa é que está ficando e vai ficar cada dia que passa mais difícil de nascer. A Maternidade de São Paulo, criada para abrigar a mãe pobre está fechada creio que há uns trinta anos, por dar prejuízo. Ora, se era para atender a mãe pobre...! Dias atrás correu a notícia de que a maternidade do Hospital Santa Catarina, uma referência hospitalar, também estará sendo fechada. O Hospital Stella Maris em Guarulhos, outro hospital de referência também está fechando. E não são só esses, muitos outros hospitais estão deixando de atender as futuras mamães, porque fazer um parto dá prejuízo, ao contrário das clínicas que existem por aí e que fazem abortos. Matar dá lucro!


O negócio é voltar para os séculos passados e as mamães terem seus filhos em casa e, ao invés de um obstetra, por alguém para correr e chamar a parteira.
Futura mamãe: não se esqueça de ter uma bacia!
 

 

Ivan Jubert Guimarães

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