Ivan Jubert Guimarães
10/06/2006
 


Agora o presidente resolveu entrar em um assunto que acha que entende: futebol e seleção brasileira. E, como sempre, deveria ter ficado de boca fechada.


O técnico da seleção, mais uma vez, mostrou sua liderança diante do grupo que dirige ao dizer que Ronaldo está forte e não gordo.
Ao capitão Cafu, ele pediu para que os jogadores não amarelem em campo.


O capitão também deu uma resposta à altura ao dizer que todos os jogadores que lá estão têm bastante experiência.
Ronaldo, o fenômeno, não estava presente na vídeo-conferência, mas aos jornalistas fez seu desabafo, com o qual concordo plenamente; de fato, nós temos uma imprensa esportiva muito metida a besta. Adoram falar das saídas dos jogadores, do que fazem em seus momentos de folga, da gordura de um, da bolha do outro, da idade dos jogadores e por aí afora. Parece, que lá no fundo, torcem contra, pois se a seleção ganhar mais essa copa não acharão culpados para execrar.


O fenômeno mandou seu recado, através da imprensa, para o presidente dizendo que ele, Ronaldo, também gostaria de fazer perguntas ao presidente, mas que todos os jogadores estavam instruídos a não fazê-las. Chegou a insinuar que pela imprensa também leu que o presidente gosta de tomar algumas. Corajoso esse Ronaldo, e é por isso que se trata de um fenômeno.


Aliás, por causa dessas declarações, o presidente teve que se curvar e mandar um pedido de desculpas, por escrito, via fax, se retratando ou tentando se justificar pelo que dissera.


A seleção pode até não trazer o título, mas já demonstrou coragem suficiente. Se perder a copa, não terá sido por medo, por amarelar em um jogo qualquer. Quem amarelou foi o presidente, que se curvou diante de um país que nem está na copa, a Bolívia.
Está na hora do presidente calar a boca e torcer apenas, torcer para que se esta seleção for campeã, que os jogadores não se neguem a comparecer em Brasília para receberem medalhas de mãos trêmulas e sujas.


E se perdermos a copa, coisa que é perfeitamente possível no esporte, continue de boca fechada presidente, pois de boca fechada não saem bobagens, nem mentiras, nem ofensas, além de não entrarem moscas.
 


Ivan Jubert Guimarães


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